Opositor Leopoldo López pega 13 anos de prisão na Venezuela
Ele foi acusado de fomentar protestos contra Nicolás Maduro
O líder da oposição venezuelana Leopoldo López foi condenado nesta sexta-feira (11) a 13 anos e nove meses de prisão por associação criminosa, incêndio, danos à propriedade pública e instigação da violência durante os protestos contra o governo de Nicolás Maduro.
As manifestações ocorreram entre fevereiro e maio de 2014 e deixaram 43 mortos e milhares de feridos. Segundo seu advogado, Carlos Gutiérrez, ele cumprirá a pena na cadeia militar de Ramo Verde, ao norte de Caracas. O local é o mesmo onde ele estava preso "preventivamente" desde fevereiro do ano passado, quando se entregou às autoridades que o procuravam por incidentes ocorridos durante uma manifestação estudantil, ocorrida alguns dias antes na capital venezuelana.
Segundo a tese da acusação, reconhecida pela sentença da juíza Susana Barrientos, López foi o mentor da violência na praça naquele dia, quando manifestantes entraram em confronto com as forças de segurança, queimaram carros e atacaram a sede da Procuradoria Central da cidade.
Em um primeiro momento, a imputação compreendia ainda a acusação de homicídio, referente à morte de três pessoas - dois civis e um dirigente chavista - durante o protesto. Contudo, a acusação foi retirada depois que uma matéria jornalística comprovou que as pessoas foram mortas por policiais.
Durante um dos poucos momentos em que pode falar durante o julgamento, o economista de 44 anos disse para Barrientos que se ela o condenasse "você terá mais medo lendo a sentença do que eu a recebendo porque você sabe muito bem que eu sou inocente".
A defesa sempre contestou o julgamento e acusou uma dezena de irregularidades durante os últimos 18 meses. Todas as testemunhas e as provas apresentadas no tribunal vinham, exclusivamente, da acusação porque aquelas apresentadas pela defesa foram rechaçadas. Além disso, nenhuma das audiências foi aberta ao público e as condições da detenção do líder antichavista foram denunciadas por diversos grupos de defesa de Direitos Humanos, para os quais o líder do partido Vontade Popular era um preso político.
A prisão e o processo contra López foram denunciados como arbitrários por organismos internacionais, como a Comissão Interamericana para os Direitos Humanos, a Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a Anistia Internacional e a Human Rights Watch (HRW). O Europarlamento e até o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também condenaram todo o processo nos últimos meses.
O diretor da HRW para a América Latina, José Miguel Vivanco, disse após a sentença que todo o processo "foi uma farsa". "O caso todo foi marcado por gravíssimas violações de princípio do devido processo e não foram apresentadas provas que vinculassem os imputados com qualquer delito", destacou Vivanco.
Além do líder do VP, foram condenados outros três estudantes pelos mesmos crimes - um pegou 10 anos de prisão e outros dois, receberam a pena de quatro anos.
- Mensagem de López: A esposa de Leopoldo López, Lilian Tintori, que se tornou uma das maiores vozes contra o governo de Nicolás Maduro após a prisão de seu marido, pediu para os opositores "manterem a calma com dignidade, força e fé".
"Logo após a sentença, Leopoldo veio próximo a mim e pediu para ler esta mensagem. A Venezuela não deve perder, nem por um minuto, a força e a fé. Esperamos agora o chamado que Leopoldo vai fazer junto com seus companheiros de Unidade", afirmou Tintori em referência à aliança da oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD). A ativista ainda acusou seu país vive "em um regime opressor antidemocrático, corrupto, ineficiente e que, com essa condenação injusta, seguiremos lutando com mais força contra esta ditadura".
Já uma das líderes da oposição, Maria Corina Machado, disse que ninguém vai "aceitar passivamente" a condenação de López. "É uma sentença contra um homem inocente, sem provas. O caminho da liberdade de Leopoldo López está nas mãos de cada venezuelano", falou Machado se referindo às eleições gerais que ocorrem no país no dia 6 de dezembro.
- Morte antes do julgamento: Antes de iniciar a sessão que condenou o opositor venezuelano, um incidente entre militantes da oposição - que faziam vigília - e chavistas causou a morte de um homem por infarto e deixou vários feridos. A polícia precisou intervir para separar os dois grupos que não paravam de fazer acusações verbais de ambos os lados. (ANSA)
