WST: Sanções à Venezuela podem trazer riscos às companhias
“Embora as sanções dos EUA sobre a Venezuela introduzidas nesta semana visem alvos específicos, elas oferecem uma flexibilidade que poderia fazer com que as companhias recalculassem suas posições no país, dizem dois especialistas”, diz um artigo do jornal norte-americano The Wall Street Journal publicado nesta sexta-feira (13/03).
“O decreto foi assinado pelo presidente Barack Obama no ano passado, e a Casa Branca afirmou na segunda-feira que a ordem foi além das requisitos da legislação. Atinge aquelas que o Departamento do Tesouro dos EUA considera estarem envolvidas ou darem suporte a violações de direitos humanos ou corrupção no setor público, e autoridades do governo, afirmou a Casa Branca na segunda-feira. Apesar de ter nomeado sete autoridades no início, os EUA podem rapidamente aumentar a lista se a situação local precisar, o que significa que as empresas devem levar em conta, dizem analistas”, escreve o jornalista Samuel Rubenfeld.
“Elas [as sanções] introduzem uma estrutura pela qual os Estados Unidos, conforme necessário, podem atuar muito rapidamente para introduzir novas designações,” disse Thad McBride, um membro do Bass Berry & Sims PLC. “Há uma ampla autoridade para o governo atuar,” afirmou ele.
McBride comparou o programa das sanções da Venezuela àquela que Washington colocou em prática há um ano no conflito na Ucrânia, dizendo que os alvos iniciais eram “muito simbólicos no início,” mas a estrutura permite a Washington “atingir nomes familiares.”
“É muito provável que o governo norte-americano fará o mesmo aqui com a Venezuela,” afirmou McBride, que afirma que as empresas deveriam aplicar planos de contingência sob o pressuposto de que a lista negra vai se expandir.
Se a lista negra crescer, as empresas poderão vê-lo se aproximando das pessoas com quem elas negociam no país, disse Oliver Wack, um analista sênior da Control Risks com sede na Colômbia.
Nada do que vimos na Venezuela no ano passado faz Wack achar que a situação vai melhorar, disse ele, ligando a agitação social ao rápido declínio econômico. E Wack afirmou que não vê um cenário onde o governo pode dar os passos necessários para melhorar a economia.
Enquanto o governo é incapaz de controlar a crise, vai continuar a reprimir, disse ele, apontando para a tentativa do presidente Nicolas Maduro de adquirir poder de decreto para conter o que o próprio Maduro chamou de “imperialismo” americano (Maduro venceu na quarta-feira sua primeira de duas aprovações necessárias para ganhar o poder de governar por decreto). “A espiral vai levar a mais sanções,” disse Wack.
