'Telegraph': Grã-Bretanha não precisa estar na Europa para fazer acordos

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O jornal britânico The Telegraph publicou nesta sexta-feira, um artigo com críticas à proposta de Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, o APT. O jornalista Douglas Carswell lista os motivos para seu fracasso. “O que deveria ser feito a respeito do TTIP,  o Transatlantic Trade and Investment Partnership?

"Hurrah!" foi minha primeira reação. O que poderia ser melhor do que livre comércio entre centenas de milhões de pessoas nos dois lados do Atlântico? Pense em quão melhor poderíamos todos estar se essa rede de especialização e troca chamada mercado livre fosse da California até os Cárpatos.

Infelizmente, como costumam ser grandes governos, as coisas nem sempre são o que parecem. Sabe, o APT não tem muito a ver com livre comércio”.

O jornalista explica seu ponto: “Se assim fosse, então haveria notadamente pouco a ser negociado. Se fosse legal vender algo em Idaho, seria legal comprá-lo em Essex. Sem regulação. Sem tarifas. Um tal acordo de comércio poderia ser resolvido em um dia.

Ao contrário, o que o APT faz é estender o modelo do Mercado Único Europeu ao comércio transatlântico. Isso significaria que ao invés de liberar o mercado, regras seriam introduzidas através das quais só seria possível produzir e vender coisas se um único padrão for cumprido.

Longe de uma maior liberdade econômica, sob um sistema como esse os produtores começam a precisar de permissão para produzir coisas. Perceba como cada aspecto da vida econômica que o Mercado Único Europeu toca fica amarrado na burocracia”.

Douglas Carswell prossegue: “E o pior, a partir do momento em que se necessita de permissão para produzir e vender coisas, cada interesse adquirido começa a fazer lobby para tirar vantagem das regras escritas. Ao invés de grandes negócios tentando persuadir ávidos clientes a comprarem seus produtos, eles vão gastar seus orçamentos de marketing para pagar lobistas com o objetivo de falsear as regras contra a concorrência e o consumidor.

É exatamente pelo fato de que vários interesses instituídos tentam fazer acordos aconchegantes atrás de portas fechadas através do APT que as negociações estão demorando infinitamente”.

“A ATP não tem a ver com livre comércio. É corporativismo de conivência, da pior espécie.

Claro, se a Grã-Bretanha estivesse deixando a União Europeia, e o acolhedor cartel corporativo chamado Bruxelas, poderíamos ter acordos genuínos de livre mercado. Não somente com a União Européia e os Estados Unidos, mas com a China, India e o resto do mundo”, sentencia o jornalista.

"Mas precisamos estar na União Europeia para fechar esses acordos", argumentam os vários interessados. Nada a ver. O comércio não depende do poder de sua administração pública, ou da grandeza de seus tecnocratas.

O comércio acontece quando a pessoa em um país produz algo que uma pessoa em outro quer comprar. Isso se mantém verdadeiro estando você em um país com mais de um bilhão de habitantes ou em outro com menos de um milhão. E isso explica por que a pequena Islândia tem agora um acordo de livre comércio com a China”, conclui Carswell.