Obama anuncia 'vasta coalizão' contra Estado Islâmico
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou na noite desta quarta-feira (10) que o país vai guiar uma "vasta coalizão" para enfrentar o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que controla áreas no Iraque e na Síria. Segundo o mandatário, que fez um duro discurso na Casa Branca, o objetivo é enfraquecer e destruir os radicais com uma estratégia antiterrorismo articulada e prolongada.
"Graças aos nossos militares, a América está mais segura, mas continuamos a enfrentar a ameaça terrorista. Por isso devemos permanecer vigilantes, e neste momento a maior ameaça vem do Oriente Médio e do norte da África", declarou.
Em seu pronunciamento, Obama deixou claro que, apesar do nome, o EI não é islâmico, uma vez que nenhuma religião manda matar inocentes, e muito menos um Estado, já que não é reconhecido por governos e nem pelas pessoas que subjuga. "É pura e simplesmente uma organização terrorista", acrescentou.
Para o presidente, se o grupo jihadista não for combatido, pode virar uma ameaça maior para os EUA. "Esses terroristas são únicos em sua brutalidade", disse o mandatário, lembrando as decapitações dos jornalistas norte-americanos James Foley e Steven Sotloff e das perseguições contra minorias religiosas.
Sendo assim, os Estados Unidos conduzirão uma "sistemática campanha" de ataques aéreos contra o EI, trabalhando em estreita parceria com o governo do Iraque. Além disso, Obama garantiu que não vai hesitar em realizar ações na Síria, apesar das desavenças com o regime de Bashar al Assad.
O país também deve aumentar o apoio financeiro e militar para as forças locais que enfrentam os jihadistas, como os guerrilheiros curdos, chamados de "peshmerga", e os grupos de oposição sírios.
"Mas na luta contra o EI, não podemos confiar em um regime Assad que aterroriza seu povo. Um regime que nunca vai recuperar a legitimidade que perdeu", ressalvou.
A estratégia norte-americana para o Oriente Médio ainda inclui trabalhos de inteligência para evitar ataques do Estado Islâmico e ajuda humanitária. No entanto, ele fez questão de reiterar que não serão enviadas tropas para combate.
Nos próximos dias, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, viajará pela região e pela Europa para angariar mais parceiros para a coalizão, principalmente nações árabes que possam mobilizar comunidades sunitas (mesma vertente do EI) no Iraque e na Síria para expulsar os terroristas de suas terras.
