El Paìs: "O novo Brasil nascido depois dos protestos"
"O novo Brasil nascido depois dos protestos" é uma das principais matérias publicadas nesta terça-feira (15/10) no jornal espanhol El Paìs (Madri), apresentando um novo perfil do país, que mudou drasticamente desde o início das manifestações, há quatro meses. A reportagem especial de Juan Arias usa uma expressão popular para representar o sentimento do povo brasileiro - "Éramos feliz e não sabíamos" - com relação as manifestações que começaram em torno dos altos preços das passagens dos transportes públicos e agora são embaladas por pessoas anônimas. Arias contextualiza o seu discurso afirmando que o Brasil é invejado no mundo inteiro por seus ganhos econômicos e sociais, citando uma frase do "carismático" ex-presidente Lula da Silva - "o Brasil nunca será o mesmo", com relação o governo PT. "E era verdade em parte, porque os brasileiros passaram a viver melhor, mais renda, sem a angústia do desemprego, liberdade respeitada internacionalmente, democrático e cheio de expressão", destaca o texto de Arias.
O jornalista espanhol destaca que o Brasil é a sexta maior economia do mundo e hoje "há uma consciência generalizada de que a inflação é alta, o país cresce pouco, as famílias estão em dívida e os gastos do governo são crescentes. Os brasileiros de classe média estão viajando para o exterior mais do que nunca, como a nova classe emergente da pobreza, já perdeu o medo reverente ao protesto. E isso é novo", detalha Arias. Ele comenta a atuação dos pequenos grupos anônimos nas manifestações, que promovem muita violência e depredação. Arias citou a manifestação dos professores no dia 7 de outubro, que mobilizou mais de 50 mil pessoas que paralisaram a cidade. "Durante quatro meses, os políticos locais não têm paz. Pessoas invadem assembleias regionais para participar das decisões governamentais. E isso também é novo", destaca.
Arias descreve um "medo político", apesar dos manifestantes não estarem contra o presidente Dilma, mas revindicando melhorias na qualidade de vida. Segundo o jornalista, o perigo reside pelo momento antecede uma Copa do Mundo e as eleições presidenciais. "Então, as pessoas podem sentir que as promessas foram deixadas para isso, promessas, e transporte público, saúde e segurança, uma das preocupações mais prementes dos cidadãos comuns, continuar como antes. Ou seja, não refletem o poder econômico do país e modernidade exigidos pela nova cidadania brasileira", explica o texto.
"O grande teste será a eleição", comenta o jornal. E sobre eleições, Juan Arias apresenta uma terceira via na corrida presidencial, que segundo ele surgiu de forma inesperada com a parceria entre a ambientalista Marina Silva e o Partido Socialista Brasileiro de Eduardo Campos, com seus líderes vindos da esquerda brasileira. Arias afirma que a nova formação nasce sob o tema de um novo caminho para o país, levando mais em conta as revindicações decorrentes e expressas nas redes sociais. A matéria destaca depoimentos de Marina Silva, quando ela ressalta que o Brasil não vai mal, mas pode melhorar e a sua promessa de acabar com a "República Velha", com a troca de valores desgastados e corrompidos.
Arias coloca como "a grande questão" que caminho será tomando pelos manifestantes brasileiros. "Tudo vai depender da estratégia que o governo da presidente Dilma Rousseff adotar nos próximos meses para mostrar, não com promessas, mas com fatos", comenta o veículo. Em outro trecho da matéria, Arias destaca que "Um Brasil que, em vez de perder suas muitas conquistas, pode conquistar uma melhor qualidade de vida, pelo menos o mesmo ou similar ao que era. Qualidade de vida já está perdendo alguns países europeus, começando com a Espanha". E para alcançar essas conquistas, os governantes devem se preparar para os novos tempos exigidos pelos brasileiros, que não querem ser tratados como adolescentes, mas querem ser tratados como filhos adultos ansiosos para participar mais intensamente na construção do seu futuro e de seus filhos", finaliza a reportagem de Arias.
