Oposição forte pode fazer Obama se voltar à política externa
Com os americanos dando mais quatro anos a Barack Obama na Casa Branca, a grande pergunta é: o que esperar do segundo mandado do presidente? Depois de colocarem seus votos nas urnas, os americanos aguardam para ver como o presidente vai liderar o país e se, realmente, haverá a tão prometida mudança.
Com um índice de aprovação de 52% segundo uma recente pesquisa da Gallup, Obama vai comandar uma população divida. Os analistas políticos estão também divididos e fazem previsões distintas para as políticas econômica, social e externa do presidente democrata que hoje parece distante do jovem senador que ocupou o Salão Oval em 2008.
Para Mark Kennedy, professor de gestão política da George Washinton University, a grande diferença entre Obama e o candidato republicano, Mitt Romney, diz respeito à economia. "Obama acha que é preciso aumentar os impostos para diminuir o déficit, ao contrário do que Romney pensa", diz ele. O analista acha que Obama terá muito mais dificuldade de negociar com o Congresso do que o ex-governador de Massachussetts teria.
"O presidente tem um relacionamento muito difícil com os membros do Tea Party (facção mais conservadora do Partido Republicano) que ele tanto demonizou. Agora, o pessoal do Tea Party também está mais experiente e voltará mais forte".
"Nunca vi uma oposição tão extrema a um presidente do que a que vi nos últimos quatro anos, mas espero que os republicanos se deem conta que isso não funcionou para eles", diz Clide Wilcox, professor do departamento de assuntos governamentais da Georgetown University. Uma grande dificuldade em negociar com o Congresso pode levar Obama a se dedicar à política externa, segundo os cientistas políticos. "Obama pode seguir os passos de Bill Clinton no segundo mandato e se dedicar aos conflitos no Oriente Médio", diz Wilcox.
Mas, de acordo com Kennedy, a situação na região pode se tornar ainda mais tensa. "Obama fez Israel se sentir inquieto e ameaçado, e isso aumentar a probabilidade de Israel declarar guerra ao Irã", diz o cientista político.
Uma das promessas de campanha que ajudou Obama a ser eleito em 2008 foi fechar a prisão de Guantánamo. A promessa não foi cumprida nem repetida durante a campanha presidencial deste ano. "O presidente provavelmente não vai fechar Guantánamo, mas certamente terá mais liberdade para agir nos próximos quatro anos, pois nunca mais precisará concorrer em uma eleição", diz Philip Seib, diretor do Centro de Diplomacia Pública da Universidade do Sul da Califórnia.
Um ponto que todos analistas concordam é que a América Latina vai ocupar um espaço maior na nova agenda de Obama, apesar da longa história do governo americano de negligenciar a região. "Ignorar a América Latina é uma falha grave da política externa dos Estados Unidos e espero que Obama se dê conta disso", diz Seib.
Apesar da importância cada vez maior da América Latina, alguns especialistas têm baixas expectativas quanto ao destaque que a região terá em Washington nos próximos quatro anos. "Menos atenção que Obama dedicou à América Latina durante seu primeiro mandado é impossível, mas não sei se algo vai mudar", diz Kennedy.
