Grécia tentará formar governo de coalizão no domingo

Analistas, no entanto, acreditam que não haverá acordo

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O presidente da Grécia, Karolos Papoulias, anunciou no sábado (12) que vai iniciar no domingo as negociações para buscar formar um governo de coalizão no país. O gabinete do presidente disse que ele receberá pela manhã de domingo os líderes dos três partidos com maior representatividade no Parlamento grego: Nova Democracia, Pasok e Syriza. Papoulias se reunirá também com líderes das demais siglas, incluindo o partido neonazista, conforme anunciou o gabinete da presidência, sem dar mais detalhes.  

A situação política no país é tensa, pois se os partidos não firmarem um acordo sobre a formação do poder executivo antes de terça-feira (15), serão convocadas novas eleições para junho.

Nenhum dos principais partidos obteve êxito na tentativa de formar um governo de coalizão desde as eleições, ocorridas no último domingo (6). Neste sábado, seus representantes continuaram dando a entender que não mudaram - ou mudarão - de posição.

Austeridade

Os resultados das legislativas - com uma forte alta da votação do Syriza e a entrada dos neonazistas no parlamento - inquietaram seriamente os analistas europeus. Os partidos tradicionais, Pasok e Nova Democracia, ambos europeístas e favoráveis ao plano de austeridade imposto à Grécia, não somaram assentos suficientes para obter a maioria simples no Parlamento. 

Por outro lado, a maioria dos demais partidos, incluindo o Syriza, de extrema esquerda, e seu líder Alexis Tsipras, se opõem de maneira rigorosa aos cortes propostos pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), credores do resgate financeiro de mais 130 bilhões de euros ao país.

Analistas políticos opinam que, em caso de novas eleições, o Syriza poderia vencer a disputa, conforme anteciparam pesquisas divulgadas na semana passada. A possibilidade de a Grécia prosseguir com seus planos de rigor exigidos por UE e FMI e se manter na Zona do Euro vai ficando cada vez mais difícil de ser implementada.

"Estamos à beira do retorno ao dracma (antiga moeda nacional) e do desastre", assegurava neste sábado o jornal liberal Kathimerini, que classificou a situação de "muito perigosa".

O presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Barroso, havia assegurado na sexta-feira (11), em Roma, que a Grécia deverá sair da Zona do Euro se não respeitar seus compromissos orçamentários em troca do plano de resgate aprovado pelos 17 Estados membros da UE. Nesse sentido, o Citibank, na semana passada, elaborou relatório no qual dizia que as chances de a Grécia abandonar a moeda única europeia Euro eram de 50% a 75% nos próximos 12 a 18 meses.

A Alemanha, maior economia da UE, voltou a fazer alertas neste sábado. O presidente do Banco Central alemão, Jens Weidmann, fez declarações sobre as consequências para o país. "Se Atenas não respeitar sua palavra, será uma opção democrática", mas "a consequência será que a base para novas ajudas desaparecerá", declarou Weidmann.

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, já havia declarado na sexta (11) que a "Eurozona pode suportar uma saída da Grécia".