Após um ano, movimento dos indignados na Espanha volta às ruas

Em Madri, há tensão entre manifestantes e polícia 

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Há um ano, a Espanha se viu em meio ao surgimento de um movimento popular que reivindicava mudanças na política e na sociedade espanhola. Chamado de Movimento dos Indignados e 15-M, em referência à data de eclosão da manifestação, 15 de maio, os manifestantes, formados em sua maioria por jovens mobilizados pelas redes sociais, tomaram as ruas de todo o país. O epicentro e ponto mais emblemático do movimento foi a Puerta del Sol, principal praça da capital Madri. Neste sábado (12), os integrantes do 15-M voltaram às ruas e convocaram manifestações em todo o país até a terça-feira (15), data de aniversário do protesto. Como efeito, as pessoas voltaram às ruas para protestar contra as medidas de austeridade e a situação calamitosa da economia espanhola.

Em Madri, os membros do 15-M começaram a tomar a Puerta Del Sol no início da noite, oriundos de marchas que partiram de vários pontos da cidade. Em Barcelona também há uma grande afluência de protestantes, com informações de mais de 22 mil pessoas nas ruas, segundo o jornal espanhol El Pais. No resto do país, cidades como Valência, Sevilha, Bilbau, entre inúmeras outras, também contaram com manifestações em comemoração do aniversário do 15-M.

Até o momento, não foram registrados incidentes e as manifestações ocorrem em clima festivo, mas, somente em Madri, foram destacados entre 1.500 a 2.000 agentes para intervir no caso de distúrbios.  

Tensão em Madri

Segundo o jornal El País, na Puerta del Sol, em Madri, o cenário volta a ter o mesmo aspecto do ano passado. Milhares de indignados abarrotaram o quilômetro zero, epicentro e ponto emblemático do protesto. O movimento retornou com força por conta das medidas de austeridade, que cortaram benefícios sociais, demonstrando que não está morto. A Internet no local não funciona e a polícia interditou a saída de duas estações de metrô e trens. Há dezenas de viaturas policiais nos arredores da praça e dois helicópteros reforçam a vigilância.

A tensão existe porque o governo determinou toque de recolher para a concentração de manifestantes às 22h locais, embora as autoridades tenham dito que procederão com uma ‘estratégia flexível’ em relação ao movimento. 

No entanto, a dúvida maior é se os ativistas tentarão se fixar e armar acampamento no local, o que aconteceu no ano passado. Neste ano, o governo proibiu tal atitude. De acordo com o El Pais, uma protestante teria perguntado a outra se ela ficaria para dormir na concentração, o que traz um clima de incerteza quanto à intenção dos manifestantes.

País 

No resto do país, as marchas de ativistas também começaram a chegar a seus destinos. Em Bilbau, cerca de 3 mil protestantes assistiram à leitura de um comunicado em defesa dos serviços públicos na Praça Arriaga. Com o lema "Atuemos!", muitos participantes estão vestidos com chapéus amarelos que, segundo eles, é 'a cor do 15-M no País Basco'. 

Em Barcelona, cerca de 22 mil pessoas ocuparam a Praça Cataluña. Os manifestantes usam pulseiras de 'cidadão', como forma de protestar contra a infiltração de policiais a paisana na multidão. 

Em Valencia, os integrantes do 15-M ignoraram a proibição de ocupar a praça da Prefeitura, que estava fechada e sob custódia da polícia porque no domingo (13) haverá uma queima de fogos em uma homenagem religiosa. Os manifestantes afastaram as cercas que isolavam o local e entraram na praça, enquanto a polícia se limitou a proteger o material inflamável, segundo informou o jornal El Pais