Publicações internacionais destacam resultado das eleições francesas 

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Diversos jornais repercutiram em seus editoriais o resultado das eleições francesas, que deram vitória ao candidato de esquerda, François Hollande, do Partido Socialista (PS) com leve vantagem contra o atual presidente Nicolas Sarkozy (28.5% contra 27.1%), o que levou a disputa para o segundo turno. 

Um dos pontos de maior destaque mencionado em diversas publicações foi o desempenho da candidata de extrema-direita Marina Le Pen, da Frente Nacionalista (FN), que conquistou cerca de 18% do eleitorado. 

Periódicos internacionais

O jornal inglês "The Guardian", em artigo assinado por Pierre Haski, deu destaque para a quantidade massiva de votos obtidos pela candidata Marine Le Pen, destacando que este resultado é o grande "foco do debate". O jornalista procurou diminuir o fator "racismo" - a Frente Nacionalista (FN) é assumidamente xenófoba - e afirmou que questões culturais e econômicos também determinaram o sucesso da candidata, que atingiu o maior número de votos (18%) de uma candidata de ultra-direita à presidência desde 1958. 

Segundo Haski, os eleitores de Le Pen vêm de dois diferentes grupos, até contraditórios. De um lado, todos aqueles que abominam o "estrangeiro", sejam eles os imigrantes que tiram empregos e benefícios sociais, ou a globalização, as fronteiras abertas e o Euro, que encaminha os empregos para países distantes, e não trazem benefícios para a população em geral. Votar em Le Pen significa, segundo o jornalista, um ato de protesto contra os que não ofereceram soluções para a crise, mas se aproveitaram dos benefícios do poder.

O outro grupo seriam os pobres, os marginalizados, "invisíveis", que Marina Le Pen descreveu como aqueles que foram excluídos do sistema pela crise. Estes, segundo Haski, optaram por votar em massa na candidata ao invés da esquerda, que tradicionalmente fala por eles.

Ainda na reportagem, Pierre destaca o desempenho fraco do candidato de esquerda socialista Jean-Luc Mélenchon, que mostraria um enfraquecimento da ala esquerdista do país. 

A revista "The Economist" acredita que mesmo com a marca recorde da candidata Le Pen, será difícil para Sarkozy, também da direita, conquistar estes eleitores e que Hollande deverá vencer o pleito no dia 6 de Março. A publicação destaca que muito dos votos conseguidos por Le Pen vem de um sentimento "anti-Sarkozy". Pesquisas preliminares já apontam uma vantagem do candidato socialista contra o atual presidente. 

O jornal portenho "Clarín" afirmou que a chave para a vitória será decidida pelo candidato que conquistar os eleitores de Marine Le Pen. Destacou o empate técnico e definiu a ascensão da extrema-direita como um “voto em crise”. De acordo com o jornal, Sarkozy não tem muita margem de manobra para conseguir votos. Diferentemente do rival, já que os eleitores mais favoráveis aos partidos de esquerda e o partido Ecológico devem votar em massa em Hollande.