Observadores da ONU visitam Homs; bombardeios cessam  

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As tropas do governo da Síria pararam neste sábado de bombardear a cidade de Homs, no centro do país, perante a visita dos observadores da ONU, que se reuniram com as autoridades da região, segundo fontes oficiais e da oposição.

A agência de notícias oficial Sana alertou sobre a escalada de ações de supostos grupos terroristas, aproveitando o cessar-fogo decretado desde a semana passada.

Por sua vez, ativistas e defensores de direitos humanos afirmaram que a tranquilidade reina desde a manhã na castigada cidade de Homs após os intensos bombardeios dos últimos dias.

O Observatório de Direitos Humanos sírio destacou em nota oficial que não foram relatadas explosões nem disparos na cidade, ao contrário dos dias anteriores, quando dezenas de pessoas morreram em bombardeios do exército.

O ativista dos Comitês de Coordenação Local Emad Hosari disse à Agência Efe que o bairro de Al Khalediya, em Homs, foi um dos mais atingidos pelos bombardeios.

"O regime tentou destruir alguns edifícios e pontos da cidade antes da chegada dos observadores, aos quais tinha negado em três ocasiões o acesso a Homs sob o pretexto de não garantir sua segurança", afirmou.

O porta-voz dos Comitês acrescentou que a cidade de Duma, nos arredores de Damasco, foi palco de um intenso bombardeio nesta madrugada. Além disso, ele acusou as autoridades de não retirar os tanques das cidades, como exige o plano de paz proposto por Kofi Annan, enviado internacional das Nações Unidas à Síria.

Espera-se que hoje o Conselho de Segurança da ONU vote um projeto de resolução para ampliar o número de observadores para 300. Eles deverão verificar também o cumprimento do frágil cessar-fogo entre as partes, em vigor desde o dia 12 de abril. Os observadores internacionais estão presentes na Síria desde o último domingo para supervisionar o cessar-fogo.

Damasco de Assad desafia oposição, Primavera e Ocidente

Após derrubar os governos de Tunísia e Egito e de sobreviver a uma guerra na Líbia, a Primavera Árabe vive na Síria um de seus episódios mais complexos. Foi em meados do primeiro semestre de 2011 que sírio começaram a sair às ruas para pedir reformas políticas e mesmo a renúncia do presidente Bashar al-Assad, mas, aos poucos, os protestos começaram a ser desafiados por uma repressão crescente que coloca em xeque tanto o governo de Damasco como a própria situação da oposição da Síria.

A partir junho de 2011, a situação síria, mais sinuosa e fechada que as de Tunísia e Egito, começou a ficar exposta. Cries de refugiados na Turquia e ataques às embaixadas dos EUA e França em Damasco expandiram a repercussão e o tom das críticas do Ocidente. Em agosto a situação mudou de perspectiva e, após a Turquia tomar posição, os vizinhos romperam o silêncio. A Liga Árabe, principal representação das nações árabes, manifestou-se sobre a crise e posteriormente decidiu pela suspensão da Síria do grupo, aumentando ainda mais a pressão ocidental, ancorada pela ONU.

Mas Damasco resiste. Observadores árabes foram enviados ao país para investigar o massacre de opositores - já organizados e dispondo de um exército composto por desertores das forças de Assad -, sem surtir efeito. No início de fevereiro de 2012, quando completavam-se 30 anos do massacre de Hama, as forças de Assad investiram contra Homs, reduto da oposição. Pouco depois, a ONU preparou um plano que negociava a saída pacífica de Assad, mas Rússia e China vetaram a resolução, frustrando qualquer chance de intervenção, que já era complicada. A ONU estima que pelo menos 5 mil pessoas já tenham morrido na Síria.