Concessionária e internet foram essenciais para achar atirador na França

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Os ataques do extremista Mohamed Merah em Toulouse e Montauban, no sul da França, fizeram com que a polícia nacional francesa armasse um gigantesco esquema desde a segunda-feira (19). As unidades de segurança fecharam o cerco ao atirador e o entrincheiraram em seu apartamento, em Toulouse, na madrugada desta quarta-feira (21), por volta das 3:10. Milhares de oficiais foram mobilizados e os pedidos de férias foram suspensos.

O episódio chocou a França, e o presidente Nicolas Sarkozy, em entrevista na noite da terça-feira (20), classificou o assassino como “louco” e ativou o plano antiterrorista do país pela primeira vez no alerta máximo, cor escarlate, quando existe uma ameaça real à nação. O plano foi denominado “Vigipirate”.

O secretário-adjunto do sindicato policial Alliance, Gilles Rouziès, esclareceu que todos os serviços operacionais estão mobilizados, todos os pedidos de férias de pessoal foram suspensos e as equipes foram reforçadas. O objetivo é proteger os pontos estratégicos como locais de culto muçulmanos e sinagogas, escolas, estações de trem e metrôs.

A polícia não invadiu o local onde atirador está por temer que ele tente se matar ou explodir os arredores durante a operação. Algumas incursões foram tentadas para adentrar o apartamento, mas Merah atirou em direção às forças policiais, que recuaram. Ele dialoga com negociadores da polícia.

Concessionária e internet

Segundo o jornal belga La Nouvelle Vague, uma concessionária da fabricante de motocicletas Yamaha de Toulouse, na qual Merah teria tentado desativar o chip de roubo de uma scooter, desempenhou um papel chave na identificação do assassino, fornecendo seu nome à polícia.  

O dono da concessionária, Christian Dellacherie, explicou que após ver as imagens das câmeras de segurança da escola Ozar Hatorah, observou que a motocicleta estava parcialmente repintada de branco. Ele informou que um jovem havia pedido informações, há alguns dias, sobre como o chip de localização de sua máquina e havia mencionado, discretamente, que desejava desmontar a scooter e repintá-la.

Ao assistir à fita mostrando o assassinato a sangue frio de três crianças judias e um de seus professores, na qual perfilava a scooter repintada, Dellacherie ligou os fatos. Depois, deu à polícia os dados de um jovem que estava no sistema da concessionária desde que tinha 14 anos, acrescentando que não havia vendido o veículo e que, nem mesmo, o havia visto.

Outra forma que a polícia encontrou para localizar o suspeito foi a identificação do computador a partir do qual foi enviada uma mensagem para marcar um encontro com a primeira vítima - um paraquedista.

Entre as pistas seguidas pelos investigadores, estava a de um encontro marcado com o paraquedista morto em 11 de março, em Toulouse, em resposta a um anúncio online sobre a venda de uma moto.

Os investigadores conseguiram assim localizar o endereço direção IP (Internet Protocol) do computador de onde foi enviada a resposta ao anúncio.