Oposição síria pede criação de "zonas protegidas"

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O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal organismo da oposição, pediu nesta quarta-feira à comunidade internacional a criação de "zonas de proteção" na Síria. Também pediu à Rússia que convença Damasco a autorizar a passagem de comboios humanitários.

Durante a conferência dos amigos do povo sírio prevista para sexta-feira na Tunísia, o CNS buscará obter "ajuda humanitária e uma zona de proteção dentro da Síria", destacou a oposição no exílio em uma entrevista coletiva em Paris.

"É possível garantir rotas protegidas com um compromisso russo para obrigar o regime a respeitar o acesso da ajuda humanitária em total segurança", completou.

Apelos intensos foram feitos nesta terça-feira, principalmente por parte do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), para o envio o mais rápido possível de ajuda humanitária à Síria, onde 68 civis foram mortos pelas forças do regime.

"A situação atual exige que uma decisão seja tomada imediatamente para que uma pausa humanitária possa ser instaurada nos combates", declarou Jakob Kellenberger, presidente do CICV, citado em um comunicado.

"Em Homs e em outras regiões afetadas, famílias inteiras estão presas em suas casas há dias, sem poder sair para comprar pão, outros alimentos, água, ou ter acesso a medicamentos", acrescentou o presidente do CICV.

Ele pediu que as autoridades sírias e outras partes envolvidas nos episódios de violência realizem "pausas diárias de pelo menos duas horas" para permitir o envio rápido de ajuda humanitária.

A Casa Branca se disse favorável à ideia de um cessar-fogo para que a ajuda humanitária chegue às populações civis, mas recusou a ideia de armar a oposição, apesar de novos apelos no Congresso.

O chefe do Exército Síria Livre (ESL), formado por militares dissidentes, coronel Riad al-Assaad, também recebeu favoravelmente essa iniciativa, considerando que ela será rejeitada pelas autoridades.

A secretária-geral adjunta da ONU para Assuntos Humanitários, Valérie Amos, exortou "todas as partes a resistirem à violência, a reconhecerem a importância da proteção dos civis e a liberarem um acesso sem entraves às organizações humanitárias para que se possa ajudar as pessoas que precisam dela desesperadamente".

O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal representante da oposição, pediu que a comunidade internacional consiga pôr fim ao "cerco" a Homs e encaminhe uma ajuda humanitária.

"O presidente do CNS, Burhan Ghalioun, pediu à Liga Árabe, ao secretário-geral da ONU, ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha, assim como aos ministros das Relações Exteriores dos países árabes, europeus e aos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para que consigam obter o fim do cerco a Homs e permitir que comboios de medicamentos e de alimentos cheguem aos bairros cercados".

Desde o início da revolta contra o regime do presidente Bashar al-Assad, em março de 2011, milhares de pessoas foram mortas na repressão, segundo militantes dos direitos humanos.

O regime se recusa a reconhecer a amplitude da revolta e atribui a violência a grupos terroristas apoiados por atores externos.