Justiça francesa autoriza extradição de Manuel Noriega para o Panamá

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A justiça francesa aprovou nesta quarta-feira a extradição ao Panamá do ex-ditador Manuel Antonio Noriega, 22 anos depois de ter sido derrubado pelos Estados Unidos.

"A corte notifica a Manuel Antonio Noriega sua extradição ao Panamá", anunciou a sala de instrução que examinou o segundo pedido de extradição do ex-ditador apresentado pelo governo panamenho a Paris.

Na audiência, o ex-ditador pediu para retornar ao Panamá "sem ódios e sem rancor".

"Meu propósito é retornar ao Panamá e demonstrar minha inocência, pois aconteceram julgamentos na minha ausência, sem assistência jurídica", declarou.

O Panamá pediu à França a extradição de Noriega, 77 anos, para que cumpra três penas de prisão, de 20 anos cada, pelo assassinato de três opositores nos anos 80.

As autoridades panamenhas calculam que o ex-ditador seja extraditado pela França ao seu país antes do Natal e anunciaram que será recebido com medidas especiais para garantir sua segurança.

"Vamos agir de forma decidida com a rapidez que nos permitir a lei para concluir esta etapa desta longa e dolorosa história e avaliou que, como havíamos dito, Manuel Antonio Noriega estará no Panamá antes do Natal", afirmou o chanceler panamenho Roberto Henríquez.

O funcionário assegurou que o Panamá espera ser notificado oficialmente pela França da decisão tomada de extraditar a Noriega ao seu país, o que pode acontecer nos próximos 15 dias.

Um juiz francês concedeu em setembro a liberdade condicional a Noriega por ter cumprido mais da metade da condenação francesa, levando em consideração o ano e meio que estava detido no país e os dois anos e meio que permaneceu detido nos Estados Unidos à espera da extradição a Paris.

Noriega, no entanto, permaneceu na prisão à espera da extradição.

Líder do Panamá nos anos 80, foi condecorado na França com a Legião de Honra e derrubado pelos Estados Unidos, acusado de narcotráfico.

O ex-agente da CIA ligado a Pablo Escobar e Fidel Castro, era considerado um militar sem escrúpulos.

Foi extraditado dos Estados Unidos para França no dia 26 de abril de 2010, após passar 21 anos preso em Miami por tráfico de drogas. Na França, foi sentenciado a sete anos de prisão pela lavagem de três milhões de dólares em bancos franceses.

Com dificuldades para andar e vários problemas de saúde, afirmou várias vezes que desejava voltar para seu país.

Durante o julgamento na França, Noriega recordou sua carreira militar e política que o converteu em homem forte do Panamá entre 1983 e 1989.

Nascido em fevereiro de 1934 em Darién, no seio de uma família pobre de origem colombiana, abraçou muito jovem a carreira militar.

Após participar em 1968 de um golpe contra o presidente Arnulfo Arias, iniciou sua ascensão ao defender o general Omar Torrijos de uma tentativa de golpe. Assim, tornou-se um dos militares mais próximos do líder nacionalista, que o colocou à frente do serviço secreto.

Foi quando se alistou como espião da Agência Central de Inteligência (CIA), onipresente no Panamá para proteger o cobiçado Canal, que até 2000 estava sob o controle dos EUA.

Depois da morte de Torrijos em um misterioso acidente de avião e da negociação dos tratados que garantiram a devolução do Canal ao Panamá, Noriega se tornou o chefe do serviço secreto.

Seu poder foi total a partir de 1983 quando assumiu o comando da Guarda Nacional, encarregada pelo controle das Forças Armadas, a polícia, o departamento de imigração, o controle aéreo e a administração do Canal.

Em um contexto de guerras civis na América Central, Noriega foi capaz de jogar em vários lados para se manter no poder e, apesar de ser um fiel aliado dos Estados Unidos terminou como inimigo número 1, após a chegada de George Bush pai ao poder (1989-92).

Durante o julgamento, Noriega disse que, após ter recebido "os maiores elogios dos Estados Unidos", tornou-se a ovelha negra por ter se recusado a acabar com as esquerdas na região.

Em 1986, o jornal The New York Times questionou o papel de Noriega no assassinato de um opositor, o médico Hugo Spadafora, que foi encontrado decapitado.

Em 1987 um ex-chefe do Estado Maior, o coronel Roberto Díaz Herrera, acusou Noriega de corrupção, fraude eleitoral e de ser o responsável pelo acidente aéreo de Torrijos.

Apesar de manter certo apoio graças ao seu discurso populista, essas acusações desencadearam uma série de manifestações no Panamá.

Em 20 de dezembro de 1989, tropas americanas invadiram o Panamá - a ação matou centenas de civis - e derrubaram Noriega.