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Frequentadores "sofrem" com lei seca em bares na Argentina

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Nativos e turistas que se encontram em território argentino tiveram que aproveitar o fim de semana de boca seca. Desde as 20h de ontem está proibida a venda de bebidas alcoólicas em lugares públicos devido ao processo eleitoral. Apesar de seu consumo estar permitido em casa, depois do horário de início da lei seca era difícil encontrar um estabelecimento que comercializasse este tipo de bebida.

Até mesmo os supermercados vedaram as prateleiras que oferecem estes produtos. Apenas alguns kioskos(pequenos pontos comerciais de venda de bebidas, cigarros e comidas rápidas) permaneceram oferecendo este tipo de mercadoria, mas somente através de delivery. Os que mais reclamam são os estrangeiros que não votam e querem aproveitar a noite. Alguns dos funcionários de um albergue de Palermo contam que é difícil conter os hóspedes porque eles alegam que não votam.

O mesmo acontece num bar localizado perto do Congresso. Um dos funcionários do local diz que as pessoas sempre querem consumir, reclamam e, em geral, não respeitam a norma. Porém, salienta que o estabelecimento não vende e que, por isso, o movimento diminui muito e se perde muito em renda.

A restrição permanece até as 21h de hoje, quando termina a conhecida veda eleitoral. Além dessa proibição, a lei eleitoral argentina - que é bastante mais rígida que a brasileira - determina uma série de regras para garantir que as eleições transcorram sem problemas, mas que também restringem as opções para diversão durante este fim de semana.

Estão impedidos quaisquer tipos de espetáculos populares ao ar livre ou em recintos fechados, funcionamento de teatros e cinemas, atividades esportivas e reuniões públicas que não estejam relacionadas ao processo eleitoral durante e antes de transcorridas três horas do encerramento da jornada.

Caminhando pelas ruas da capital federal, não se encontra nenhuma atividade deste tipo, indicando o respeito do povo às normas. Talvez intimide a forte presença das forças de segurança para garantir que o processo se desenvolva tranquilamente. São mais de 87 mil efetivos distribuídos por todo o país, incluindo membros das polícias locais e nacionais, além das forças armadas.

A lei impede também, a partir das 48 horas que antecedem a eleição, a realização de atos públicos de proselitismo, distribuição de "santinhos" num raio de até oitenta metros das mesas que recebem votos, bem como é porte bandeiras ou distintivos.

Porém, com a proximidade do retorno da presidenta Cristina Kirchner à capital, que votou em Río Gallegos, no sul da Argentina, perto do hotel onde se reunirão os candidatos do Frente para la Victoria, os cidadãos mandaram as regras ao espaço e já surgem várias pessoas abraçadas em bandeiras partidárias. Os cartazes difundidos durante a campanha não precisam ser retirados e permanecem adornando toda a cidade. A norma também não abarca as redes sociais, pelo menos no que se refere às proibições que envolvem os cidadãos comuns, já que partidos e candidatos não podem difundir mensagens de promoção nem sequer por estes meios.

Por outro lado, as coberturas jornalísticas também são controladas. Somente podem cobrir o processo eleitoral nas proximidades das mesas jornalistas que estejam credenciados através da Justiça Eleitoral. Sem credencial está proibido qualquer questionamento referente às eleições perto dos locais de votação. As pesquisas e projeções sobre o resultado da eleição estão proibidas desde 48 horas antes da abertura das mesas até três horas depois de encerrada a jornada.

Devido a essas regras, somente se começará a divulgar resultados parciais e projeções a partir das 21h de hoje. Porém, os meios de comunicação local, sem divulgar a fonte dos dados, já afirmam que a atual presidente ganhou as eleições. Este é o horário previsto também para a manifestação pública dos candidatos, que recém agora começam a voltar à capital federal, já que a maioria votou em outras cidades. Encerradas as eleições, se estima que mais de 80% dos eleitores compareceram às urnas, apesar de, às 17h, menos de 60% terem comparecido para votar.