Londres: saques e mais detenções marcam 3º dia de distúrbios
Em estado de choque, Londres viveu esta segunda-feira o terceiro dia consecutivo de atos de violência e saques, enquanto uma investigação ampla tentava, ainda, determinar as responsabilidades nestes fatos inéditos em mais de 20 anos.
No total, 215 pessoas - entre as quais um menino de 11 anos - foram detidas desde o início dos distúrbios, declarou esta segunda-feira a ministra britânica do Interior, que teve que encurtar as férias.
Novos enfrentamentos explodiram no bairro pobre de Hackney, no leste da capital, depois dos primeiros atos de violência, iniciados no sábado em Tottenham e que se espalharam por vários bairros da capital durante o fim de semana.
Na madrugada de domingo para segunda, pelo menos nove membros das forças de ordem ficaram feridos. Foram 35 durante o fim de semana, segundo informações da polícia, que se diz "chocada por este incrível nível de violência dirigida contra ela".
Em Hackney, dezenas de jovens atacaram várias lojas, saquearam um caminhão e incendiaram carros e latas de lixo esta segunda-feira.
Na noite anterior, pequenos grupos de jovens atacaram as forças de ordem em outros bairros, danificando vários de seus veículos, destruindo vitrines e saqueando lojas.
Trata-se de "atos criminosos inspirados", segundo os serviços de segurança, naqueles registrados no sábado no bairro multiétnico e pobre de Tottenham (norte).
Em Walthamstow, Enfield, Islington (norte), Brixton (sul) e inclusive em Oxford Circus, em pleno coração da Londres turística, as mesmas cenas se reproduziram.
Afetada pelos acontecimentos da véspera e pelas duras críticas contra à lentidão de sua reação, a polícia, reforçada, realizou 153 novas detenções, após as 62 interpelações de domingo.
As agitações eclodiram no rastro de uma manifestação para reivindicar "justiça" pela morte, na quinta-feira, de Mark Duggan, durante uma operação das forças de ordem contra a criminalidade no âmbito da comunidade negra da capital inglesa.
"Tem relação com aquilo que ocorreu em Tottenham. Mas isto parece ser mais uma desculpa", criticou Williams Falade, de 28 anos, encarregado de um clube de ginástica em Brixton.
Um sentimento compartilhado pelo número dois do governo, Nick Clegg, que se dirigiu para Tottenham esta segunda-feira e condenou uma "onda de violência gratuita", não tendo "absolutamente nada a ver com a morte de Mark Duggan", um pai de família.
Na noite de sábado, em Tottenham, um bairro que já tinha sido palco de distúrbios em 1985, imóveis foram queimados, carros da polícia e um ônibus, incendiados, 29 pessoas ficaram feridas, fazendo daquela noite uma das piores na capital britânica em mais de 20 anos.
Uma comissão de controle independente abriu um inquérito sobre as circunstâncias da morte de Mark Duggan, enquanto que algumas informações divulgadas pela imprensa dão a entender que as forças de ordem abriram fogo sem ter sido atacadas. Os resultados dos especialistas balísticos são aguardados para a terça-feira.
Embora as fotos de edifícios em chamas tenham dominado as primeiras páginas de todos os jornais britânicos esta segunda-feira, muitos evitaram fazer interpretações apressadas.
Em Tottenham, os moradores ainda têm dúvidas sobre as causas de tanta violência.
"Não podemos nos contentar em dizer que estes eventos se devem unicamente a esta morte ou a criminosos", afirmou Osagyefo Tongogara, morador de longa data deste bairro.
"Eu digo que esta é uma rebelião. As pessoas estão frustradas e furiosas", emendou.
