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Elizabeth II entra no Croke Park: tentativa de reconciliação com passado sangrento do Reino Unido

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A rainha da Inglaterra Elizabeth II visitou nesta quarta-feira o estádio Croke Park, símbolo da repressão britânica durante a guerra de independência há quase um século, no seu segundo dia de viagem na Irlanda. A rainha inglesa foi nesta tarde ao estádio considerado santuário para os irlandeses desde o dia 21 de novembro de 1920, quando policiais britânicos atiraram contra o público durante uma partida de futebol que deixou 14 civis mortos.

Esse massacre, um dos mais destacados da luta que levou à independencia da Irlanda em 1922, foi organizado em represália a uma operação do IRA (Exército Republicano Irlandês) que horas antes havia deixado 14 mortos entre as forças britânicas. O gesto "altamente simbólico", como qualificou o ministro irlandês das Relações Exteriores, é considerado uma maneira da rainha pedir desculpas por seu país pelos prejuízos da colonização e de cicatrizar as feridas deixadas por séculos de conflitos.

A visita de Elizabeth II, que vai até sexta-feira, é a primeira de um monarca britânico à Irlanda desde a independência do país. Antes, pela manhã, a rainha depositou uma coroa em outro lugar importante, o memorial da Primeira Guerra Mundial, que homenageia 49,4 mil mortos irlandeses que lutaram ao lado do Reino Unido neste conflito, em um gesto que destaca a importância dos vínculos entre os dois países.

O segundo dia da viagem começou com uma visita à fábrica da famosa cerveja Guinness, uma das principais atrações turísticas do país. A soberana escutou atentamente as explicações do processo de produção enquanto enquanto formavam-se filas de espera. Na hora da verdade, tanto ela quanto o marido resistiram à tentação de experimentar a "bebida nacional". O casal real partiu, em seguida, para a sede do governo, onde foram hasteadas as bandeiras dos dois países, para um reunião com o primeiro-ministro Enda Kenny.

A rainha vai terminar o dia com o único discurso previsto da visita, em um banquete no castelo de Dublin, a antiga sede das autoridades britânicas. Elizabeth II deve aproveitar a oportunidade para destacar a melhoria das relações anglo-irlandesas desde o acordo de paz de 1998 na Irlanda do Norte entre os protestantes unionistas e os republicanos católicos. O primeiro-ministro britânico David Cameron escreveu nesta quarta-feira no Irish Times que a visita da tainha "não é tanto sobre fechar um capítulo da história, mas é sobre abrir um novo".

Apesar da maioria dos irlandeses ver de forma positiva a visita da rainha, uma minoria tenta impor sua voz, e um grande esquema de segurança tem sido necessário. O primeiro dia esteve marcado por uma série de alertas de bomba, na maioria falsos, atribuídos à facções dissidentes do, hoje inativo, IRA, opostos ao processo de paz na Irlanda do Norte. Um artefato "possivelmente" explosivo foi apreendido horas antes da chegada da monarca em um ônibus.

A polícia também manteve distante dezenas de pessoas que protestaram na capital, onde queimaram uma bandeira britânica e soltaram balões pretos enquanto a rainha prestava tributo no Jardim da Memória aos irlandeses que morreram lutando pela liberdade do país.