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ONG denuncia "epidemia" de ataques sexuais em acampamentos no Haiti

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WASHINGTON - As mulheres dos acampamentos de refugiados do Haiti sofrem uma "epidemia" de violência sexual, passado mais de um ano do violento terremoto que destruiu a capital do país e deixou mais de 220 mil mortos, denunciaram várias organizações ante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) nesta sexta-feira.

"Existe uma incessante epidemia de violência sexual e de impunidade constante", afirmou Lisa Davis, diretora do grupo de defesa da mulher Madre, durante uma audiência na qual testemunharam várias vítimas de estupro.

A CIDH, subordinada à Organização de Estados Americanos (OEA), emitiu medidas cautelares em dezembro de 2010 nas quais solicita ao governo haitiano que tome medidas para frear a violência sexual contra mulheres e meninas, e melhorar o acesso à saúde e à justiça.

Em muitos acampamentos, as mulheres não possuem banheiros privados e devem tomar banho à vista de todos, e seu acesso à comida, saúde e água é limitada, explica Eramithe Delva, cofundadora da organização Kofaviv e vítima de violência sexual.

Além do mais, depois de um ataque sexual, as mulheres não têm acesso a serviço médico e, quando tentam denunciar o crime, encontram dificuldade principalmente pela falta de um atestado médico.

Kofaviv registrou 465 casos de estupro em campos de refugiados durante 2010, e nos dois primeiros meses deste ano já foram contabilizados 90.