Manifestantes assumem o controle de várias cidades líbias
Segundo a Federação Internacional de Direitos Humanos, número de mortos pode chegar a 400
PARIS - Várias cidades líbias, entre elas Benghazi e Syrta, caíram nas mãos dos manifestantes depois de deserção do Exército, afirmou nesta segunda-feira a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH), que antecipou um balanço de 300 a 400 mortos desde o início da rebelião.
"Muitas cidades foram tomadas, principalmente no leste. Os militares estão debandando", declarou a presidente da FIDH, Souhayr Belhassen, citando principalmente Benghazi, reduto da oposição, e Syrte, cidade natal do coronel Muamar Kadhafi.
A polícia líbia também debandou no domingo da cidade de Zauia (60 km a oeste de Trípoli), que, desde então, está mergulhada no mais completo caos, informaram vários tunisianos que fugiram para Ben Guerdan (Tunísia), perto da fronteira entre os dois países.
Mais de 2.300 tunisianos residentes na Líbia também abandonaram o país desde domingo por razões de segurança, informou a agência oficial tusinisiana TAP.
Mais cedo, a organização de defesa dos direitos humanos Humans Right Watch (HRW) informou que o número de mortos nos confrontos era de 233. O prédio que servia de sede para um canal de televisão e uma rádio pública foi saqueado no domingo à noite por manifestantes em Trípoli, onde delegacias e escritórios dos comitês revolucionários foram incendiados, informaram testemunhas à AFP.
"Um local que abrigava o canal Al-Jamahiriya 2 e a rádio Al-Shababia foi saqueado", afirmou uma testemunha, que pediu anonimato. A programação do canal e da emissora de rádio foi retomada nesta segunda-feira. A Al-Jamahariya 2, segundo canal público, e a rádio Al-Shababia foram criadas por um filho de Muamar Kadhafi, Seif al-Islam, em 2008, antes de serem nacionalizadas.
Outras testemunhas afirmaram à AFP que prédios públicos foram incendiados na capital no domingo à noite, principalmente delegacias e escritórios dos comitês revolucionários, incluindo o da Praça Verde, cenário de violentos confrontos entre partidários e opositores do regime.
A cidade de Benghazi, a segunda maior da Líbia, localizada 1.000 km a leste de Trípoli, é o epicentro das manifestações que exigem o fim do regime de Kadhafi, há mais de quatro décadas no poder. Mais cedo, Seif al-Islam Kadhafi, filho do líder líbio Muamar Kadhafi, disse em entrevista à televisão que a Líbia está à beira da "guerra civil" e que a violência é resultado de um "complô estrangeiro".
Em Bruxelas, a ministra espanhola de Assuntos Exteriores, Trinidad Jiménez, afirmou que a União Europeia (UE) estuda retirar seus cidadãos da Líbia, em particular da cidade de Benghazi. "Estamos extremamente preocupados com a repressão aos protestos na Líbia, e estamos coordenando a possível retirada dos cidadãos da UE, especialmente de Benghazi", declarou Jiménez, antes de uma reunião de ministros europeus das Relações Exteriores.
