Vice-presidente egípcio rejeita assumir poderes de Mubarak

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CAIRO - O vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, recusou neste domingo um pedido da oposição para que assuma os poderes do presidente Hosni Mubarak, muito questionado há duas semanas, afirmou um dos participantes do diálogo entre o governo e a oposição.

"Pedimos que o presidente delegue a ele seus poderes, de acordo com as prerrogativas que lhe concedem o artigo 139 (da Constituição), mas rejeitou", declarou à AFP este dirigente de um partido da oposição, que preferiu não ter o nome divulgado.

Participantes do diálogo entre o governo egípcio e vários grupos da oposição, entre eles a Irmandade Muçulmana, decidiram neste domingo formar um comitê encarregado de realizar reformas constitucionais, antes da primeira semana de março, anunciou o porta-voz do governo, Magdi Radi.

As conversações, com representantes da oposição e personalidades independentes, haviam sido convocadas pelo vice-presidente egípcio Omar Suleiman.

Houve consenso "sobre a formação de um comitê que contará com o poder judiciário e um certo número de personalidades políticas, para estudar e propor as emendas constitucionais e legislativas que se fizerem necessárias", anunciou Radi.

A Irmandade Muçulmana participa das discussões, assim como alguns grupos que estiveram presentes nas manifestações realizadas desde 25 de janeiro para exigir a renúncia de Hosni Mubarak.

Segundo Radi, os participantes da reunião de domingo se puseram de acordo sobre "uma transição pacífica do poder, com base na Constituição".

O comunicado lido, propõe a abertura de um escritório destinado a receber queixas relativas a presos políticos, estabelecer o levantamento das restrições impostas aos meios de comunicação e a rejeição a "qualquer intromissão externa nos assuntos egípcios".

O texto pede, também, o levantamento do estado de emergência "de acordo com a situação da segurança.

O diálogo aberto neste domingo reúne representantes da Irmandade Muçulmana, do Partido Wafd (liberal) e do Tagammou (esquerda), que fazem parte de um comitê escolhido por grupos defensores da democracia. Estes lançaram o movimento de contestação que exige, desde 25 de janeiro, a saída do presidente Hosni Mubarak.