Oposição uruguaia comemora acordo alcançado com Argentina
Agência ANSA
MONTEVIDÉU - A oposição do Uruguai elogiou o presidente José Mujica e considerou que o acordo alcançado ontem com a Argentina, sobre o controle conjunto do Rio Uruguai, abre uma "nova etapa" nas relações bilaterais, estancadas após anos de conflito por uma indústria na fronteira.
"Há uma agenda muito importante adiante, que vai muito mais além do tema que gerou todo o conflito e que tem a ver com coisas muito importantes para o Uruguai", comentou Pablo Mieres, do Partido Independente.
Citando "a dragagem do Canal Martín García", no Rio da Prata, e "questões vinculadas à integração energética", o político acrescentou ainda que ambas nações têm "uma agenda que havia ficado postergada" durante o tempo em que durou a disputa.
A Argentina condenava a instalação da fábrica de pasta de celulose UPM, ex-Botnia, na localidade uruguaia de Fray Bentos, às margens do Rio Uruguai. Em 2006, o governo local enviou uma demanda sobre o assunto à Corte Internacional de Justiça, em Haia, que divulgou sua sentença em abril.
O tribunal aceitou o argumento argentino de que o país vizinho havia desrespeitado o Tratado do Rio Uruguai ao autorizar a construção da indústria de forma unilateral, mas refutou que o empreendimento poluísse a região. Os magistrados, então, recomendaram que os dois governos instituíssem um monitoramento conjunto da área.
Ontem, Mujica e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, se reuniram em Buenos Aires para tratar do assunto e chegaram a um acordo sobre o controle da fronteira bilateral.
Mieres e os titulares dos partidos Colorado, Pedro Bordaberry; Blanco, Luis Lacalle; e da aliança governista Frente Ampla, Jorge Brovetto, mantiveram durante a noite um encontro com o chanceler Luis Almagro para conhecer em detalhes o pacto alinhavado pelos mandatários.
Segundo Bordaberry, Mujica alcançou em poucos meses de gestão -- tendo tomado posse em março -- "o que em cinco anos não tinha sido conseguido" acerca da controvérsia que marcou a administração de Tabaré Vázquez (2005-2010), também da Frente Ampla.
Os dirigentes concordaram em destacar que o presidente transformou o conflito com a Argentina em um tema "nacional" ao consultar e informar a oposição sobre as tratativas com a nação vizinha.
"É muito auspicioso e positivo que até o momento final tenhamos mantido um nível de sintonia entre governo e todos os partidos. É um sinal que acredito ser muito importante", assinalou Mieres.
