Ministro italiano declara guerra às gravatas
Vera Gonçalves de Araújo, JB Online
ROMA - Símbolo de seriedade e elegância, usada por amor ou necessidade, a gravata é um dos poucos acessórios decididamente masculinos, e nos armários das mulheres só entra de gaiata. Nessa onda de calor que assola a Europa, muitos homens sonham o momento de afrouxar a gravata ou se livrar dela de vez. Não só porque esquenta e aperta o pescoço, mas porque faz mal à saúde.
Não é papo furado de verão, é uma declaração oficial do ministro da saúde italiano, Ferruccio Fazio. Para o ministro, a gravata é a causa de muitas infecções. Faz parte do "uniforme" de políticos e executivos, é obrigatória para entrar no parlamento e em alguns restaurantes, vem sendo protagonista no YouTube de vídeos que ensinam a fazer 85 nós, do mais simples, com 4 passos, ao nó Fink, o mais complicado.
Mas agora o acessório masculino está sentado (ou atado) no banco dos réus. Fazio declarou solenemente: - A gravata é uma grande fonte de infecções, a pior que existe no corpo dos homens. Isto foi cientificamente comprovado - acrescenta o ministro - tanto que na Inglaterra foi abolido o uso de gravatas nos hospitais.
Por enquanto Fazio não pretende seguir o exemplo dos ingleses, mas pede aos italianos que reflitam sobre um fato: mesmo trocando de gravata todo dia, raramente ela se lava. E portanto está sempre cheia de germes (sérios e elegantes?).
Acredito que dificilmente o governo Berlusconi vai lançar uma cruzada contra as gravatas. O chefe do governo - apesar de gostar de se mostrar com mangas arregaçadas e trajes esportivos - não dispensa o "uniforme": terno azul escuro, camisa azul clara, gravata de bolinha ou de listras diagonais.
Tem também o lado econômico do caso. A exportação de gravatas de seda é um negócio importante na Itália, que vale - mesmo em período de crise - 400 milhões de euros por ano, para 2 mil toneladas de gravatas que enfeitam pescoços de todo o mundo. Ninguém na Itália pode esnobar as marcas do "made in Italy" mais famosas (Marinella, Finollo, Valentino, Ferré, Missoni, Hugo Boss e por aí afora) por motivos de saúde.
O ministro Fazio será obrigado a se resignar. E a guardar sua camisa polo para os domingos.
