Lula viaja ao Irã para mediação difícil e importante
Agência AFP
TEERÃ - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia no domingo em Teerã uma visita de extrema importância, que as potências ocidentais consideram a "última oportunidade" do Irã para evitar novas sanções da ONU pela política nuclear da república islâmica.
Tanto Washington como Moscou expressaram falta de otimismo a respeito das possibilidades de êxito da mediação do Brasil e o primeiro-ministro turco, Recep Tayip Erdogan, que havia se associado à iniciativa, parecia neste sábado ter desistido de viajar a Teerã, em consequência da falta de compromisso iraniano sobre uma proposta de solução.
O enriquecimento de urânio por parte do Irã está no centro do conflito com a comunidade internacional, que teme que Teerã, apesar dos desmentidos, tenha como objetivo produzir a bomba atômica.
Para tentar criar um clima de confiança, as grandes potências apresentaram uma proposta a Teerã de entrega de 70% do urânio levemente enriquecido para a conversão em combustível altamente enriquecido, que o Irã precisa para um reator de pesquisa científica.
O Irã, que também alega problemas de confiança, rejeitou a ideia e sugeriu uma troca simultânea de combustível em pequenas quantidade em território iraniano. Com a negativa das grandes potências, a república islâmica iniciou em fevereiro a produção de urânio enriquecido a 20%, o que acelerou a mobilização ocidental para a aprovação de novas sanções do Conselho de Segurança da ONU.
Brasil e Turquia, membros não permanentes do Conselho de Segurança e contrários às sanções, pretendem convencer Teerã a apresentar propostas concretas para solucionar a crise.
O governo iraniano, apesar de afirmar estar aberto à negociações, não deu pistas de suas intenções nas últimas semanas. As autoridades do país se limitaram a multiplicar as declarações, sem apresentar fatos concretos, sobre sobre "propostas" do Brasil e da Turquia, ou recordaram a postura inicial: uma troca de combustível simultânea, em quantidade limitada, no terrotório do Irã.
"Recebemos muitas propostas e estamos examinando", reafirmou neste sábado o diretor da Organização de Energia Atômica Iraniana, Ali Akbar Salehi.
"Há uma vontade das partes de solucionar o problema e as coisas evoluem positivamente", acrescentou, sem apresentar mais detalhes.
Mas o ministro das Relações Exteriores, Manuchehr Mottaki, não deu nenhum sinal de flexibilidade da postura iraniana.
"Esperamos que as partes se curvem à realidade e escolham o caminho justo", declarou neste sábado.
Na sexta-feira, após uma reunião em Moscou com o colega russo Dmitri Medvedev, o presidente Lula se declarou "otimista" a respeito das possibilidades de obter um gesto de Teerã. Ele disse estar convencido de ter 99% de chance de sucesso.
Mas o presidente russo, mais modesto, afirmou que calculava em 30% as possibilidades de sucesso das conversações, que considerou a "última oportunidade" antes da decisão por sanções.
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, declarou na sexta-feira que Lula precisa "escalar uma montanha".
"Acredito que não teremos nenhuma resposta séria dos iranianos até que haja uma ação do Conselho de Segurança", afirmou.
O premier ministro turco, que segundo Teerã participaria nas conversações com Lula no domingo, informou na sexta-feira que a viagem estava em suspenso.
"Parece que uma viagem ao Irã na segunda-feira não é mais possível, já que o Irã não deu nenhum passo adiante no tema", afirmou.
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