Longo caminho até a paz no Oriente Médio

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Jornal do Brasil

EVELYN SOARES - O histórico conflito entre israelenses e palestinos aparece cada dia com um ingrediente novo que pode postergar uma solução pacífica. Uma nova tentativa de retomada dos diálogos de paz reiniciou na semana passada, de maneira indireta, mas já foi balançada com o anúncio que Israel não congelará as construções de assentamentos em Jerusalém Oriental.

A pacificação através do acordo com Israel é uma estratégia antiga que é descartada pelo primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad. O colunista do New York Times, Roger Cohen, já o descreveu como o mais importante fenômeno no Oriente Médio , que não está interessado na 'vitimização' da Palestina . Com a meta de elevar os territórios palestinos ao status de Estado, Fayyad quer criar uma infraestrutura em termos de instituições e economia nos próximos dois anos.

Fayyad quer construir um Estado palestino que obrigue a comunidade internacional, liderada por Washington, a reconhecê-lo como tal, quer as negociações com Israel vinguem ou não explica Mouin Rabbani, analista independente e colaborador do Middle East Research and Information Project (Merip).

Mas o caso não é nada semelhante ao do reconhecimento pelo mundo do Estado sionista que cresceu nas décadas de 20, 30 e 40. A diferença crucial é que os britânicos, que ocupavam militarmente a região, apoiaram os israelenses, governaram os palestinos e tinham poderes para se defender dos árabes.

Realidade política

O mundo já observou diversas tentativas das duas partes em solucionar a questão, sempre com a mediação dos Estados Unidos, grande protetor de Israel. O mais emblemático se deu em 1993, quando o então presidente Bill Clinton uniu Yasser Arafat, líder da Organização para Libertação da Palestina, e Yitzhak Rabin, premier israelense.

A histórica cena do aperto de mão de inimigos em frente à Casa Branca, que selou a Declaração de Princípios para a Paz entre ambos os Estados e encheu de esperanças o mundo, sucumbiu ao não cumprimento do artigo que previa a saída de tropas israelenses dos territórios palestinos até fevereiro de 1999.

Para Rabbani, a presença do colonizador israelense é o grande empecilho para o real desenvolvimento de um Estado palestino, o que exige das negociações um mecanismo que satisfaça ambas as partes.

Negociações bem sucedidas exigem, como pré-condição, a decisão de Israel de acabar com a ocupação ou o desejo do mediador para forçar a descolonização, fatos que não ocorrem neste caso afirmou Rabbani. Pelo contrário, Israel está determinado a consolidar o poder em Jerusalém Oriental e partes estratégicas da Cisjordânia, com o apoio americano.

Futura esperança?

Economista de formação, Fayyad é politicamente independente e atua como premier palestino desde quando o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, o chamou para assumir. O Hamas, partido de oposição que controla Gaza, não apoia nenhum dos dois.

Na atual administração, Fayyad e Abbas tem muitas diferenças entre si, mas em um ponto eles concordam. Sabem que, no fim, a salvação não virá de uma mobilização do povo palestino, e sim de Washington.

Mas com a proximidade do fim do mandato de Abbas e com o aumento da popularidade de Fayyad entre os palestinos, é possível prever que o primeiro-ministro lançará uma candidatura para assumir a liderança da Autoridade Palestina.

Acho que ele tem a ambição para suceder Abbas explicou Rabbani. Mas para que seja bem sucedido, ele vai precisar do apoio de pelo menos um dos dois maiores movimentos palestinos (referindo-se ao Fatah e ao Hamas), e é muito cedo para determinar se ele conseguirá isso ou não .

O apoio da população se dá pela estabilidade e pelo desenvolvimento econômico que Fayyad levou à Cisjordânia. De acordo com Rabbani, em recentes pesquisas, o premier estaria em quarto lugar nas eleições presidenciais.

Então, será ele o real salvador da Palestina?

Não creio que exista uma pessoa assim sentencia o analista. O problema não é o líder, e sim o sistema político, o que significa que todo movimento nacional palestino precisa ser transformado para que de fato exista um Estado.

Para conquistar a tão sonhada soberania Palestina e reconhecimento pela comunidade internacional, a ambição e a liderança de Fayyad deverão percorrer um longo e difícil trajeto de perseverança.