Presidente russo incia visita oficial à Argentina
Agência ANSA
BUENOS AIRES - O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, inicia hoje uma visita oficial à Argentina, a primeira de mandatário russo ao país sul-americano.
Medvedev terá reuniões com a presidente Cristina Fernández de Kirchner, com quem firmará uma série de acordos, entre eles um de cooperação nuclear.
Também devem ser assinados convênios de cooperação em transporte, geologia, legislação florestal, esporte e energia, além de um memorando de entendimento entre a Comissão Nacional de Atividades Espaciais da Argentina e a Agência Espacial Federal Russa.
O líder russo estará acompanhado por uma delegação formada por empresários e por membros de seu governo, como o ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov.
Em 2008, durante uma visita de Cristina a Moscou, os dois presidentes firmaram um acordo de associação estratégica.
O ministro argentino das Relações Exteriores, Jorge Taiana, destacou que, entre os dois países, "há muito interesse em fortalecer a coordenação em temas políticos e econômicos, e inclusive em níveis internacionais".
"A Rússia, por exemplo, apresentou sua solicitação de admissão na Organização Mundial do Comércio, e a Argentina está apoiando fortemente este pedido. Espero que esse processo, que já foi demorado e que agora está mais rápido, termine logo", comentou o chanceler.
Taiana informou que a Argentina quer "fortalecer o intercâmbio comercial com a Rússia" e mencionou como exemplo que no ano passado "a balança comercial teve um saldo positivo de US$ 705 milhões para o nosso país".
"Se analisarmos o período 2005-2009, nota-se um crescimento sustentado pelo comércio bilateral, cujo valor acumulado alcançou os US$ 4,9 bilhões de dólares", ressaltou o ministro, recordando ainda o apoio histórico da Rússia nas Nações Unidas em relação às demandas argentinas, como a luta pela soberania pelas Ilhas Malvinas, atualmente sob posse da Grã Bretanha.
No entanto, institutos de pesquisa apontam que as dificuldades enfrentadas pelo mercado interno argentino em relação à carne e à safra recorde esperada para este ano põem em risco este superávit de Buenos Aires, já que estes fatores obrigarão Moscou a buscar um novo fornecedor.
Além disso, a colheita recorde fará com que a Argentina aumente as importações de combustíveis e fertilizantes, produtos exportados pela Rússia.
Segundo a consultora Abeced, "as economias de ambos países são mais substitutivas que complementarias. Ambos são exportadores de alimentos e energia, o que, no intercâmbio, pesa muito ter dois produtos específicos".
