Papa lembra que Cristo, apesar de insultado, não insultava

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Agência AFP

CIDADE DO VATICANO - Durante a missa que abriu os ritos litúrgicos da Semana Santa, o papa Bento XVI recordou nesta quinta-feira que Cristo, "apesar de ser insultado, não insultava".

- Maltratado, não ameaçava com vinganças, e sim confiava naquele que julga com justiça - disse o pontífice durante a missa celebrada na basílica de São Pedro para os padres da diocese de Roma.

Ao contrário do que muitos esperavam, o papa não abordou o delicado tema dos escândalos que afetam o clero da Europa e dos Estados Unidos pelas denúncias contra padres pedófilos.

Bento XVI citou os sofrimentos de Cristo e afirmou que a "felicidade que vem de Cristo nos dá a capacidade de sofrer e, no sofrimento, de continuar sendo profundamente felizes".

"Aquele que ama está disposto a sofrer pela pessoa amada e por seu amor, e isto desperta uma profunda alegria".

"O júbilo sentido pelos mártires era mais forte que os tormentos que padeciam. Este júbilo, ao final, venceu e abriu as portas da história a Cristo", completou.

Mais cedo, o papa deu início às celebrações da Páscoa com uma condenação do aborto, também sem abordar os escândalos de pedofilia na Igreja Católica que abalam vários países europeus, sobretudo a Alemanha, país natal do pontífice, assim como os Estados Unidos.

Durante uma misa na qual foram abençoados os óleos sagrados utilizados durante todo o ano, dedicada em particular à missão dos padres, o papa voltou a condenar o aborto.

"É importante para os cristãos não aceitar uma injustiça elevada ao grau de direito, por exemplo quando se trata do assassinato de crianças inocentes que ainda não nasceram", declarou na homilia.

"Os cristãos, como bons cidadãos, respeitam o direito e fazem o que é justo e bom, mas se negam a fazer o que, nas disposições jurídicas em vigor, não é um direito, e sim uma injustiça", destacou Bento XVI.