Talibãs reivindicam ataques ocorridos entre sábado e domingo
Da redação, Jornal do Brasil
KANDAHAR - Uma onda de atentados suicidas reivindicados pelos talibãs deixou pelo menos 35 mortos em Kandahar, no sul do Afeganistão, segundo um balanço oficial divulgado domingo, em um dos maiores ataques coordenados pelos insurgentes islâmicos nos últimos anos. Vários pontos da cidade de Kandahar foram afetados por sete explosões a partir da noite de sábado.
O Ministério do Interior informou que entre as vítimas estão policiais e civis, incluindo 10 pessoas crianças e mulheres que assistiam a um casamento. No total, há 57 feridos, 40 delas civis.
Pelo menos quatro fortes explosões foram ouvidas em uma área da cidade onde se encontram a sede da polícia e outros edifícios oficiais, seguidas por disparos de armas leves.
A cidade de Kandahar, terceira maior do Afeganistão e reduto dos talibãs, é decisiva para o controle do país.
Um porta-voz dos talibãs, Yusuf Ahmadi reivindicou os atentados em série e disse que o primeiro deles teve como alvo a prisão central de Kandahar. Os demais atingiram outros prédios governamentais.
Um dos ataques aconteceu nas imediações da Mesquita Vermelha, perto da casa de Walid Karzai, irmão do presidente afegão. Walid é um personagem polêmico, acusado por muitos de envolvimento com diversos tipo de tráfico, incluindo o de drogas.
Uma nova explosão aconteceu na manhã de domingo, perto do escritório de uma empresa de construção japonesa em Kandahar. Cinco funcionários ficaram feridos, sendo quatro paquistaneses e um afegão.
O porta-voz dos talibãs afirmou ainda que os atentados suicidas são a resposta aos comentários do comandante das forças americanas e da Otan no Afeganistão. O general americano Stanley McChrystal afirmou que Kandahar será o centro de uma ofensiva militar para erradicar os talibãs.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, afirmou recentemente, durante uma visita ao Afeganistão, que as tropas de Kandahar seriam a ponta de lança no combate aos talibãs.
A série de atentados suicidas acontece no momento em que são aguardados dezenas de milhares de reforços militares para as tropas internacionais presentes no Afeganistão, como parte da nova estratégia dos Estados Unidos de acelerar a luta contra a insurgência talibã. EUA e Otan pretendem aumentar este ano de 121 mil a 150 mil o número de militares no país.
