Sínodo para o Oriente Médio condenará ocupação de Israel

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Agência ANSA

CIDADE DO VATICANO - A Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, que ocorrerá entre os dias 10 e 24 de outubro no Vaticano, discutirá, entre outros temas, a ocupação israelense nos territórios palestinos, libaneses e sírios como causa da hostilidade entre os povos da região.

As diretrizes do evento, apresentadas nesta terça-feira e previamente aprovadas pelo papa Bento XVI, explicam como a "situação política conflituosa" faz com que o diálogo entre cristãos e judeus seja "pouco desenvolvido".

- Neste nível, cabe aos chefes políticos envolvidos, com a ajuda da comunidade internacional, tomar as decisões necessárias de acordo com as resoluções das Nações Unidas - afirma o documento.

As linhas gerais foram apresentadas pelo secretário-geral da assembleia, Dom Nikola Eterovic. Segundo ele, o Vaticano segue as decisões da ONU em relação aos territórios palestinos e não tem posição contrária à de Israel, cujo governo rejeita que haja uma ocupação.

- Nós não fazemos uma política nossa, o Sínodo tem finalidade pastoral. Todavia, devemos levar em conta a situação, e as diretrizes formam o documento que ilustra o estado atual das coisas - completou Eterovic.

A assembleia também falará sobre a responsabilidade dos cristãos no Oriente Médio em "fazer cair o muro de medo, desconfiança e ódio" através de sua "amizade com judeus e muçulmanos, israelenses e palestinos", assim como "Cristo destruiu o muro que separava judeus e gregos, assumindo o mal sobre si, sobre a própria carne".

As linhas gerais da reunião dos bispos sugerem que a criação de grupos de amizade e reflexão em vista da paz entre os três grandes grupos religiosos "é tarefa essencial e eminentemente cristã".

Para resolver os "diversos conflitos nascidos a partir do centro principal, que é o conflito israelense-palestino", é dever dos que acreditam em Cristo "denunciar com coragem a violência, de qualquer parte que vier, e sugerir uma solução" que não exclua o diálogo.

Além disso, o texto vaticano comenta o crescimento do Islã político na sociedade muçulmana a partir dos anos 70, o que teria produzido "correntes extremistas" que representam uma "ameaça para todos, cristãos e muçulmanos", devendo ser enfrentadas por ambas as religiões.