Porta-voz do Unicef diz que haitianos têm medo de voltar para casa

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Agência ANSA

PORTO PRÍNCIPE - A população do Haiti está com medo de voltar para casa depois do terremoto de 7 graus na escala Richter que se abateu sobre o país no dia 12 e pode ter causado 200 mil mortes.

De acordo com a porta-voz do Escritório Regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para a América Latina e Caribe, Tamar Hahn, até o pátio da residência do primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, foi tomado por pessoas desabrigadas.

Em entrevista à ANSA, ela disse que encontrou na propriedade uma fila de pessoas que "pacientemente e de modo ordenado" esperavam para conseguir água. No local há um reservatório que fornece até cinco mil litros do líquido, uma quantidade que pode atender às necessidades de mil pessoas.

Em outra fila, a população aguardava para receber kits de higiene pessoal disponibilizados pelos norte-americanos.

- Os haitianos não dormem mais em suas casas, mesmo aqueles que têm um teto que resistiu ao sismo. Na maior parte das residências, as pessoas construíram barracos formados por vários pedaços de tecido, tudo que conseguiram achar e juntar. As praças da cidade estão lotadas - afirmou Hahn.

A funcionária da ONU, que chegou ontem a Porto Príncipe, contou também que os que não conseguem montar abrigos improvisados se deitam nas estradas e dormem sobre lajes de concreto.

Hahn falou sobre as más condições de higiene na cidade devastada pelo tremor, onde cirurgias estão sendo feitas no hospital de campanha da base logística da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) sem os devidos cuidados: membros amputados são jogados no lixo comum, urina e fezes depositadas atrás das acomodações improvisadas. Além disso, médicos e pacientes têm pouca água e comida à disposição.

A maior parte das intervenções corresponde a amputações, medida usada, na maior parte das vezes, para combater feridas infeccionadas. - Não poderia ser diferente, os suprimentos são limitados e não é possível pensar em executar qualquer outro tipo de operação - explicou Hahn.

De acordo com a porta-voz do Unicef, a situação das crianças é dramática. No hospital de campo, ouvem-se "gemidos e gritos de dor". Um dos casos que ilustram a situação é o de uma menina de dois anos com paralisia cerebral, levada ao centro médico após o terremoto, desidratada e em estado de choque.

- Está no berço, sozinha, e chora. Não tem feridas graves e poderia voltar para casa, mas ninguém a conhece, nem sabe quem sejam seus pais. Um bilhete com a inscrição 'Baby Girl' foi colocado em seus pés - contou Hahn. Para ela, outras milhares de crianças podem estar nas mesmas condições.