Coreia do Norte: Kim inicia ano com pé direito
Jornal do Brasil
DA REDAÇÃO - O governo da Coreia do Norte manifestou, por meio de uma tradicional mensagem de Ano-Novo publicada em três jornais do país, sua intenção de pôr fim à relação de hostilidade com os Estados Unidos, informou a agência de notícias estatal KCNA.
A tarefa principal para garantir a paz e a estabilidade na península coreana e no resto da Ásia é dar um fim à relação hostil entre Coreia do Norte e EUA , diz o comunicado, assinado pelo partido único norte-coreano, do qual o líder Kim Jong-il é presidente.
Os editoriais divulgados pelo regime comunista a cada 1º de janeiro representam um indício de suas intenções políticas para o ano que se inicia. Como em anos anteriores, a Coreia do Norte também insistiu que mantém como seu objetivo conseguir uma península coreana livre de armas nucleares através de diálogo e negociações .
Como Pyongyang já fez promessas similares no passado que não tiveram consequências práticas, analistas olham com cautela para esta nova declaração do regime norte-coreano. Destacam, por exemplo, que a vontade expressa pelo regime deve trazer implícita a condição de que sejam formalmente abertas negociações diretas com Washington para o reatamento das relações bilaterais.
A nota de Pyongyang acrescenta que as duas Coreias deveriam chegar a uma reconciliação o mais breve possível , e lembra que neste ano se completa o décimo aniversário da primeira e histórica cúpula intercoreana, realizada em 1999. .
Nos últimos meses, o regime passou a suavizar suas relações com a comunidade internacional, após ter lançado vários mísseis e realizado seu segundo teste nuclear na primeira metade de 2009.
No início de dezembro, o enviado especial dos EUA para o país, Stephen Bosworth, viajou a Pyongyang para conversações sobre a questão nuclear do país asiático, que estavam interrompidas há um ano, e da qual participam China, Japão, Rússia e Coreia do Sul.
Iniciativa
O presidente norte-americano, Barack Obama, escreveu em dezembro uma carta dirigida pessoalmente ao líder norte-coreano, Kim Jong-il, na tentativa de persuadir Pyongyang a regressar às negociações sobre o desarmamento nuclear. Na ocasião, a Coreia do Norte respondeu dizendo que poderia voltar à mesa dos seis, na qual lhe é oferecido um pacote de assistência financeira em troca do abandono do programa atômico.
Isolados no palco internacional, os norte-coreanos foram alvo de novas sanções das Nações Unidas depois de terem levado a cabo uma série de testes nucleares no ano passado. Com a economia muito debilitada, este endurecimento de sanções pode levar Pyongyang a ceder em algumas frentes, notam analistas, talvez até mesmo dando uma resposta positiva às exigências dos Estados Unidos.
