Ajuda do governo no Suriname foi insuficiente, diz brasileiro
Portal Terra
BELÉM - Um dos 32 brasileiros que desembarcaram em Belém do Pará vindos do Suriname, na noite desta quarta-feira, denunciou que os brasileiros não receberam a ajuda necessária da embaixada. - Eles prometeram remédios, médicos e alimentos, mas nós só recebemos ajuda do brasileiro dono do supermercado Transamérica, em Albina. Agora eles deram cem dólares para a gente. Não sei como vai ser para eu voltar para Macapá - disse o ambulante Roni Pereira da Silva, 24 anos, que foi atingido por estilhaços de granada quando aconteceram os ataques.
Três dos brasileiros voltaram feridos no avião. O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou na capital paraense, às 21h30, mas houve demora no desembarque por conta da prioridade dada aos três brasileiros que necessitaram de ambulância para levá-los ao hospital. A chefe da Divisão de Assistência Consular do Itamaraty, Luiza Lopes da Silva, acompanhou os brasileiros durante a viagem.
O primeiro brasileiro a desembarcar direto para a ambulância foi o maranhense Raimundo Silva Pereira, 36 anos. O irmão dele, o paraense Paulo Silva, contou que a onda de ataques contra os brasileiros na região de Albina, no Suriname, começou no bar de propriedade dele. Paulo veio para Belém, no último dia 11 de dezembro, para passar com a família as festas de final de ano e deixou o irmão administrando o comércio. No dia 24 de dezembro, um brasileiro que frequentava o bar, ao se sentir ameaçado por um "marron", nome dado aos quilombolas do Suriname, matou o suposto agressor com uma facada. Algumas horas depois, o bar foi atacado, sendo Raimundo um dos primeiros a ser agredido. - Ele só sobreviveu porque desmaiou e eles pensaram que ele tinha morrido - revelou. A partir daí, os atos de vandalismo teriam se espalhado pela região.
A representante do Itamaraty negou as denúncias. Luiza Lopes disse que o governo brasileiro fez tudo o que foi possível para ajudar os brasileiros. Afirmou que os feridos foram encaminhados para hospitais. - Estamos concluindo apenas uma parte do nosso trabalho. Trouxemos todos os brasileiros que demonstraram interesse em voltar. Nosso desafio agora é ajudar os que ficaram a viverem com dignidade no Suriname - garantiu. Luiza afirmou ainda que, até agora, não houve a confirmação de mortos.
Os brasileiros resgatados foram levados para hotéis e os feridos foram encaminhados ao hospital da Ordem Terceira em Belém. O governo do Pará ofereceu assistência por meio das Secretarias de Saúde, Direitos Humanos e Administração.
