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Vázquez: eleições no Uruguai e em Honduras estão em lados opostos

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Agência ANSA

MONTEVIDÉU - O mandatário uruguaio, Tabaré Vázquez, ao emitir seu voto esta manhã no segundo turno das eleições presidenciais do país, reiterou seu repúdio ao processo eleitoral de Honduras, ao afirmar que os dois atos estão "em polos opostos".

As eleições deste domingo no Uruguai "têm importância, principalmente, quando há atos eleitorais em países da região, como em Honduras, onde há um processo imposto por um governo ilegal. Ainda que pareçam similares, os dois atos estão em polos opostos", afirmou o mandatário no bairro de La Teja, em Montevidéu.

"Esta é a essência da democracia", continuou Vázquez, que declarou ainda que "hoje, o único ganhador será o povo uruguaio".

Em Honduras, os movimentos que se opõem à realização do pleito nacional e exigem a restituição do presidente Manuel Zelaya, deposto em um golpe de Estado no dia 28 de junho, disseram em um comunicado que a votação é um fracasso devido ao baixo nível de comparecimento às urnas.

"Constatamos o fracasso da farsa eleitoral devido ao escasso comparecimento", afirma a nota, que também denuncia a ocorrência de ataques perpetrados pelo Exército contra centros sociais e residências de pessoas que boicotam o processo. Também estaria em curso, de acordo com a resistência, uma ampla campanha para pressionar a população a sufragar.

Honduras vive neste domingo uma tensa jornada, já que parte da população não considera legítimas as eleições porque são coordenadas pelo governo de facto que chegou ao poder após a deposição de Zelaya.

Além de apontar o sucessor do presidente legítimo, que deixaria o cargo em janeiro de 2010, os comícios servirão ainda para eleger 128 parlamentares e 298 prefeitos.

Colocando como exigência a restituição de Zelaya, parte da comunidade internacional promete não reconhecer os resultados do pleito. O Brasil é um dos países que sustenta esta postura.

Pelo mesmo motivo, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) não enviaram observadores a Honduras.

O comparecimento às urnas será determinante para medir o apoio popular do regime liderado por Roberto Micheletti. Embora o voto seja obrigatório, no país não há punições para ausentes e os índices de abstenção têm chegado a 45% nos últimos anos.

Zelaya, que desde o dia 21 de setembro está abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, mantém seu pedido para que os cidadãos boicotem o pleito.

Na última semana, o governo uruguaio já havia declarado que não reconheceria o processo. Segundo informou a revista Búsqueda, para o Uruguai, Micheletti violou o acordo Tegucigalpa-San José, que tinha como objetivo buscar uma solução para a crise que afeta o país há cinco meses.