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Honduras: crise tem capítulo importante com as eleições de domingo

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Paulo Marcio Vaz, Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A crise não acabou. Mas a verdade é que o presidente golpista de Honduras, Roberto Micheletti, ao menos conseguiu manter Manuel Zelaya, o líder deposto, na embaixada brasileira em Tegucigalpa até hoje, dia em que a comunidade internacional assiste o polêmico pleito que, em tese, elegerá o próximo presidente do país. Isto, em tese, porque poucas nações parecem estar dispostos a reconhecer o resultado. Poucas, mas importantes.

A maior delas, os Estados Unidos, talvez seja a principal responsável pelo êxito, ao menos até agora, do objetivo de Micheletti: realizar as eleições e tentar dar um fim, não só na possibilidade de Zelaya voltar ao poder, mas também em fazer, a partir do pleito realizado, com que seu país volte a se relacionar normalmente com o resto do mundo.

Mas se há alguma chance de Micheletti vencer o jogo, ela esbarra na lisura e transparência do pleito deste domingo. Depois de os Estados Unidos decidirem, apesar da condenação ao golpe, apoiar a realização das eleições, foi a vez do Panamá, do Chile e da Costa Rica também roerem a corda, mas condicionando uma possível aceitação do resultado final a uma eleição limpa.

O Brasil, ao menos até a sexta-feira, mantinha-se irredutível. exigindo a volta de Manuel Zelaya como única condição de reconhecimento da validade do pleito de hoje. Segundo o cientista político Marcelo Coutinho, professor da Universidade de Brasília (UnB), o Itamaraty erra ao se manter apoiando apenas um dos lados da questão:

O Brasil precisa deixar de tomar partido e deve dialogar com os dois lados. Se não, vamos perder a condição de mediador e passaremos a ter um estigma de nação encrenqueira afirma Coutinho. Se as eleições em Honduras forem bem sucedidas, ponto para os Estados Unidos. Mas, se não derem certo, não é ponto para o Brasil.

Se dependesse do candidato favorito nas eleições de hoje, Porfírio Lobo, a conversa com Lula começaria a partir do resultado final. Na sexta-feira, Lobo disse que admira o presidente brasileiro e que pretende bater à sua porta para conversar, obviamente, em caso de vitória.

Micheletti, afastado temporariamente da presidência golpista, volta ao posto no dia 2, quando o Congresso hondurenho, finalmente, decide se Zelaya será ou não reposto no poder. Será mais um round que poderá ajudar a decidir o rumo de Honduras e, quem sabe, da diplomacia brasileira em relação à América Latina.