Espanha aposta em cúpula para aproximar Colômbia e Venezuela
Agência ANSA
MADRI - A Espanha tem expectativas de que a 19ª Cúpula Ibero-Americana, que ocorrerá entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro em Estoril, Portugal, servirá para amenizar a tensão que tem marcado as relações bilaterais entre Colômbia e Venezuela.
"Colômbia e Venezuela conhecem a disponibilidade da Espanha para reduzir tensões, construir novas medidas de confiança e estimular o diálogo. Já estamos trabalhando para isso com tenacidade e discrição", afirmaram hoje fontes do governo espanhol.
Em setembro, o premier espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, já havia se oferecido para mediar a crise. Os atritos começaram a crescer em julho, quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou o congelamento das relações com a Colômbia após ter sido acusado de contrabandear lançadores de foguetes a guerrilheiros.
Além disso, a assinatura do acordo militar acordado por Bogotá e Washington, que permitirá aos Estados Unidos enviar até 1.400 oficias a bases colombianas, intensificou as rusgas diplomáticas.
Nas últimas semanas, Chávez qualificou o mandatário colombiano, Álvaro Uribe, como "mafioso" e "desgraçado", além de ter conclamando a população venezuelana a se preparar para a guerra.
Em retaliação, o governo da Colômbia enviou notas diplomáticas sobre as "ameaças" venezuelanas ao Conselho de Segurança da ONU e à Organização dos Estados americanos (OEA).
No dia 10 de novembro, o secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, disse que esperava que o encontro regional funcionasse como um "veículo" para o diálogo entre Colômbia e Venezuela.
"Normalmente, quando temos conflitos desse tipo, esperamos que a cúpula sirva para apoiar o diálogo. As conversas informais que ocorrem à margem do encontro são fundamentais", analisou Iglesias.
Honduras
A crise política em Honduras é outro tema que deve fazer parte da agenda da Cúpula Ibero-Americana, que começa no domingo, mesmo dia em que será realizada a eleição presidencial neste país.
Embora os Estados Unidos tenham dito que respaldarão o pleito por crer que a eleição de um novo presidente poderá pôr fim à crise desatada pela deposição de Manuel Zelaya, no fim de junho, vários outros países alegam que não vão encarar como legítimo o novo governante, já que a votação ocorrerá sob a coordenação de um regime de facto.
"A posição do governo espanhol tem sido muito clara: restabelecer a ordem constitucional é o objetivo e a restituição do presidente [Manuel] Zelaya, uma exigência clara", indicaram as mesmas fontes.
O governo espanhol também explicitou opinião semelhante à de Zelaya no que se refere ao Acordo Tegucigalpa/San José, assinado em 30 de outubro pelo presidente legítimo e pelo governo de facto, encabeçado por Roberto Micheletti.
"Hoje, vemos que esse pacto não foi cumprido e, assim, será difícil que as eleições possam produzir os efeitos que se esperam", declararam os representantes de Madri.
Entre outros pontos, o pacto delegou ao Congresso a decisão sobre a possível volta de Zelaya ao poder e determinava a formação de um governo de unidade nacional.
Foi por causa deste tema que o presidente eleito deu como fracassado o diálogo, já que Micheletti indicou apenas representantes de seu lado para a administração interina.
