Irã reitera intenções nucleares
Jornal do Brasil
DA REDAÇÃO - Um alto funcionário do governo iraniano negou que tenha feito qualquer declaração sinalizando que o Irã está disposto a negociar com o Ocidente o futuro do seu programa nuclear, informou a TV estatal daquele país terça-feira.
A mesma rede, mais cedo, havia afirmado que Ali Asghar Soltanieh, embaixador do Irã junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), tinha anunciado que o país está pronto para participar de qualquer negociação com o Ocidente, baseada em respeito mútuo .
A liderança do regime acusou Washington de estimular os protestos, e os EUA condenaram duramente a repressão do governo às manifestações. No mês passado, o presidente reeleito Mahmoud Ahmadinejad prometeu derrubar a arrogância global , numa alusão aos EUA e seus aliados.
Obama inicialmente deu prazo de um ano para que seu governo revisse suas políticas de envolvimento com o Irã, mas depois antecipou a data para setembro, de modo a coincidir com uma reunião do G20 (bloco de países desenvolvidos e emergentes).
Teerã vem evitando há meses uma resposta, o que segundo diplomatas ocidentais serve para que o governo ganhe tempo no enriquecimento de urânio.
Questionado sobre o prazo de setembro, porta-voz da chancelaria iraniana disse em julho que o povo iraniano sempre saúda o diálogo, mas dentro de um marco que salvaguarde nossos interesses nacionais .
Naturalmente levamos a sério a defesa dos nossos direitos nucleares e não iremos aceitar quaisquer limites a esse respeito acrescentou o porta-voz.
Mas a TV estatal, sem explicar de onde saiu a reportagem inicial, transmitiu mais tarde que Soltanieh negava qualquer entrevista ou comentário sobre o assunto.
As principais políticas do Irã não mudaram, com a busca de atividades nucleares pacíficas dentro do âmbito da AIEA afirmou Soltanieh.
Os EUA deram prazo até setembro para que o Irã aceite uma proposta internacional para receber benefícios comerciais em troca de suspender seu programa de enriquecimento de urânio. Do contrário, o país estaria sujeito a novas sanções.
O Ocidente acusa o Irã de estar desenvolvendo armas nucleares, enquanto Teerã garante que seu objetivo é apenas gerar eletricidade com fins civis.
As denúncias de fraude e os protestos pós-eleitorais no país mergulharam o Irã na sua pior crise interna desde a Revolução Islâmica de 1979, expondo profundas divisões na elite governante e piorando ainda mais as relações com o Ocidente.
