Honduras: Chávez diz que Zelaya voltará ao país "em algumas horas"

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Agência ANSA

LA PAZ - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta sexta-feira que o mandatário deposto de Honduras por um golpe de Estado, Manuel Zelaya, voltará "nas próximas horas" ao seu país.

A declaração de Chávez foi dada em La Paz, onde o presidente realiza uma visita oficial. Ontem, ele participou das celebrações em homenagem ao bicentenário da independência da Bolívia.

- Os golpistas devem entregar o governo ao presidente deposto Manuel Zelaya, e nós o apoiamos", ressaltou Chávez, que também comentou a intensificação dos protestos em Honduras em favor do mandatário destituído.

Na quinta-feira, o presidente venezuelano já havia se referido à volta de Zelaya ao declarar que o governante destituído estava "a caminho de Honduras".

Em quanto isso, o jornal El Heraldo, de Honduras, que apoia o regime do presidente de facto, Roberto Micheletti, que foi nomeado pelo Congresso Nacional após o golpe, afirma hoje em seu site que Chávez "planeja fabricar um massacre no país".

- Os planos do presidente venezuelano e ex-militar golpista Hugo Chávez de fabricar um massacre no país e gerar caos e anarquia são reais, advertiram ontem membros da Polícia, Forças Armadas e Comissão de Direitos Humanos - alerta a publicação.

O jornal ressalta ainda que Chávez prepara um "plano Caracas", que consiste em "destruir meios de comunicação, queimar carros, lançar bombas e atentar contra os próprios manifestantes para culpar militares e policiais".

- Além disso, o plano inclui a tomada absoluta do aeroporto Toncontín, o bloqueio das principais estradas e paralisação de instituições públicas - adverte o El Heraldo, acrescentando que o governo venezuelano pode ajudar Zelaya a voltar ao país por meio de áreas controladas pelo narcotráfico.

Segundo a publicação, o ministro da Defesa do governo de facto, Adolfo Sevilla, já tem conhecimento dos planos de Chávez, mas mantém o sigilo para não "alarmar a população".

A instabilidade política gerada em Honduras com o golpe de Estado, que não foi reconhecido pelos países da América Latina nem pelos Estados Unidos, tenta ser resolvida por meio do diálogo mediado pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

Arias se encontrará com representantes do regime de facto e do governo destituído no próximo sábado para buscar um acordo. A Organização dos Estados Americanos (OEA) afirma que só pode haver consenso com o retorno de Zelaya ao poder.