Grupo paquistanês: forte estrutura logística e rede de colaboradores

Por

Myra MacDonald , Jornal do Brasil

REUTERS - O Ocidente deveria se preocupar tanto com o Lashkar-e-Taiba quanto com a Al Qaeda? O grupo culpado pelos ataques do ano passado em Mumbai, na Índia, tem uma estrutura de logística e de treinamento formidável, e uma rede global de simpatizantes que costumava levantar fundos para sua instituição de caridade Jamaat-ud-Dawa (JuD).

Isso o torna um perigo não somente para a Índia que está exigindo ação contra Laskhar-e-Taiba (LeT) em troca da retomada de negociações de paz com o Paquistão mas também uma ameaça potencial ao Ocidente dado seu alcance global e base forte.

A Al Qaeda não comanda mais aqueles tipos de recursos disse Praveen Swami ao jornal indiano The Hindu.

Com base em Punjab, na província central do Paquistão, o grupo já foi treinado pelo Serviço de Inteligência do Paquistão (ISI, na sigla em inglês) para combater a Índia na Caxemira.

Mas uma rara decisão para atingir ocidentais e judeus junto com os indianos nos ataques de Mumbai aumentou as preocupações de que o grupo pudesse eventualmente voltar seus alvos para o Ocidente.

A atitude dos EUA em relação ao LeT é bem diferente ao que era antes diz Kamran Bokhari, diretor de Oriente Médio para a empresa de inteligência global Stratfor.

Analistas que estudaram o LeT dizem, contudo, que o grupo continua muito concentrado na Índia e na Caxemira.

A Índia ainda é o inimigo número um, mas as prioridades do LeT estão mudando, ou pelo menos se expandindo observa Stephen Tankel, do Centro Internacional de Estudo da Radicalização e Violência Política em Washington.

Tankel, que trabalha em um livro sobre o LeT, disse que o grupo está agora claramente encurralando ocidentais e judeus em ataques terroristas na Índia bem como combatendo forças lideradas pelos EUA no Afeganistão.

Mas isso ainda é diferente de planejar e executar um ataque em solo britânico ou americano ressalta.

Influência acadêmica

O LeT nasceu de um grupo fundado pelo professor universitário Hafiz Saeed para combater os soviéticos no Afeganistão. Mesmo depois do 11/9, conseguiu ficar sob o radar dos governos ocidentais devido a seu foco na Caxemira, enquanto sua recusa a atingir alvos dentro do Paquistão permitiram que ele mantivesse uma base forte apesar de estar formalmente banido.

A atitude dos governos ocidentais em relação ao LeT, no entanto, tem mudado, alimentada por preocupações sobre o fato de o grupo treinar recrutas ocidentais para fazer bombas ou ajudá-los a percorrer todo o Paquistão para se juntar à

Al Qaeda.

O trabalho filantrópico do JuD que vai desde ajuda às vítimas do terremoto de 2005 na Caxemira até auxílio a refugiados no noroeste do Paquistão também dá a ele uma rede global de simpatizantes e arrecadadores de fundos na diáspora paquistanesa, dizem analistas.

E embora não haja evidência de que o LeT possa estar prestes a promover em Londres ou Nova York ataques semelhantes ao ocorrido em Mumbai, uma grande preocupação diz respeito à possibilidade de sua rede ser usada por outros grupos.

Uma outra grande preocupação é de que o LeT se divida em ramificações que se moveriam além do foco na Índia para atacar tanto o Paquistão quanto o Ocidente.

Alguns indícios disso surgiram nos atentados de Mumbai, em que 10 homens armados mataram 166 pessoas em um ataque de três dias.