Bispo de Hong Kong defende liberdade religiosa na China
Agência ANSA
ROMA - O bispo emérito de Hong Kong, cardeal Joseph Zen, afirmou em uma entrevista à agência AsiaNews que agora "não é momento para a Santa Sé e a Igreja chinesa aceitarem algum compromisso" com a China, mas sim de colocar em prática os ensinamentos da carta que o papa Bento XVI enviou aos católicos chineses em 2007.
- Agora chegamos a um ponto que não é mais possível aceitar um compromisso, como era feito antes. É hora de começar uma nova fase, e é a carta do Papa aos católicos chineses que deve marcar este novo início - disse o cardeal, que atualmente leciona em seminários do país.
Segundo Zen, o Pontífice apontou "claramente quais devem ser os princípios para dar vida a uma nova fase da Igreja na China", mas não houve empenho por parte do governo chinês em estreitar as relações.
A China cortou relações diplomáticas com o Vaticano em 1951, quando a Santa Sé se aproximou de Taiwan.
Há anos as duas partes discutem o controle da Igreja católica no país, sendo que o regime comunista exige o rompimento das ligações entre o Vaticano e a ilha separatista, e a não interferência nos assuntos internos como requisitos para o restabelecimento das relações.
- De qualquer modo, é importante a relação diplomática, mas só isto não concerta tudo. As relações podem ser algo que engana, porque podem dar uma falsa impressão de que existe liberdade religiosa. E a coisa mais importante é a liberdade religiosa. E certamente ela pode ser facilitada pelas relações diplomáticas, mas não é necessariamente verdadeiro que quando há uma há outra - explicou o religioso.
Ainda durante a entrevista, que será publicada em agosto, Zen contou também que está preocupado com uma "opaca submissão da Igreja oficial à Associação Patriótica Católica da China (APC)", organismo criado pelo governo chinês que, entre outras coisas, nomeia os próprios bispos.
A carta que Bento XVI enviou aos católicos chineses em 2007 convidava os fiéis da Igreja clandestina que são seguidores da Igreja Católica dialogarem com os da Igreja Patriótica.
O documento, no entanto, não falou de Taiwan, mas o Vaticano se declarou disposto a trasladar a nunciatura apostólica de Taiwan a Pequim a qualquer momento
