Anistia Internacional manifesta 'preocupação' por conflitos no Peru

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Agência ANSA

LONDRES - A organização civil Anistia Internacional, de proteção aos direitos humanos, manifestou nesta terça-feira "muita preocupação" com a "situação crítica" na Amazônica peruana, após os confrontos da última sexta-feira entre indígenas e a polícia, que causou ao menos 31 mortes.

- O direito à vida, à integridade física e à liberdade contra a tortura e os maus tratos deve ser respeitado em todo momento - declarou Nuria García, investigadora da organização no Peru.

De acordo com a Anistia Internacional, ainda que as autoridades tenham a obrigação de garantir a ordem e o cumprimento da lei, "devem fazê-lo com o uso proporcional da força, cumprindo em todo momento com suas obrigações em relação aos direitos humanos".

A instituição também pediu para que os líderes das organizações indígenas "enviem uma mensagem clara" aos manifestantes de que fazer reféns e assassinar policiais "não é aceitável".

- A situação na Amazônia continua crítica. É vital que as autoridades tomem medidas decisivas para prevenir que se cometam violações dos direitos humanos ou que suas ações levem a um aumento da violência - destacou García.

A organização, com sede em Londres, ressaltou ainda que é "essencial que as autoridades competentes realizem uma investigação imediata e imparcial para estabelecer a verdade sobre os crimes que foram cometidos e levar os responsáveis à Justiça, sem importar quem sejam".

Nesse sentido, a Anistia Internacional pediu que as autoridades tornem públicas as informações sobre os indígenas que foram presos pela polícia e pelos militares, para que tenham garantido o direito de defesa.

Para a instituição, antes de entrar em conflito com os manifestantes, as autoridades peruanas devem "cooperar em boa fé com os indígenas, por meio de suas instituições representativas".

Os confrontos entre indígenas e a polícia aconteceu quando as autoridades decidiram enfrentar os manifestantes peruanos que bloqueavam a estrada Fernando Belaunde Terry havia dez dias.

No conflito, de acordo com a Defensoria Pública, morreram 31 pessoas, entre civis e policiais. As organizações indígenas, contudo, afirmam que mais de 100 pessoas desapareceram.