100 dias de Obama: diplomacia dos afagos mútuos

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Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu homólogo americano começou antes mesmo de Obama chegar à Casa Branca, quando o brasileiro declarou apoio à candidatura do democrata no final do ano passado. Menos de uma semana depois da posse, Obama telefonou para Lula e o convidou para ir à Casa Branca, em março, convite que o brasileiro aceitou, tornando-se o terceiro líder a visitar o americano.

Embora Obama ainda não tenha tomado medidas concretas sobre futuras parcerias com o Brasil, chamou o país de uma potência econômica e disse que ele e o presidente Lula devem ser parceiros , em demonstração rara de afinidade entre mandatários da América do Norte e Sul.

Com sua liderança de esquerda moderada que projetou mundialmente a imagem do Brasil como mediador, Lula também fez com que o Brasil começasse a desempenhar o papel de amortecedor de tensões na hora de tranquilizar Washington em relação a dirigentes vizinhos como Hugo Chávez da Venezuela, que manteve duros confrontos com George Bush.

Ainda antes de se tornar presidente e durante o mais importante pronunciamento que fez sobre

sua política para a América Latina, em maio do ano passado, Oba-

ma continuou elogiando as qualidades do Brasil, referindo-se ao país como exemplo a ser seguido no continente .

Na sua proposta de criar uma nova aliança para o desenvolvimento do continente, Obama enfatizou que o Brasil tem o maior potencial de produção de energia renovável da América Latina e também alguns dos desafios para enfrentar a degradação do meio ambiente. Ele acrescentou, porém, que a liderança brasileira na produção de etanol e o desenvolvimento do país não foram alcançados sem prejuízos para o meio ambiente. Para ele, uma nova solução seria formar uma parceria entre EUA e Brasil.

Farei um apelo ao povo americano para formar um time de engenheiros e cientistas para desenvolver soluções energéticas limpas em vários países. Este é o único papel importante que os EUA podem desempenhar. Podemos oferecer mais do que a tirania do petróleo. Podemos aprender com o progresso feito por um país como o Brasil e fazer das Américas um modelo para o mundo declarou.

Um segundo encontro entre os dois presidentes ocorreu na reunião do G-20, realizada em Londres. Na ocasião, Obama disse, em uma conversa informal, que Lula era o cara e o político mais popular da Terra porque ele é boa pinta . Lula, retribuiu à sua maneira e disse que Obama é um cara legal .

De bom humor em entrevista

de meia hora na Embaixada do Brasil em Londres, o presidente agradeceu ao gesto de gentileza e deu

a receita:

Eu trato as pessoas muito bem, eu gosto de ser companheiro. Torço para ele desde quando era pré-candidato democrata e enfrentava a Hillary Clinton nas eleições primárias.

Para o analista francês Marc Saint-Upéry, entrevistado pela agência EFE, o Brasil deve aproveitar a aproximação com os EUA e buscar com a administração americana de Barack Obama um diálogo que o legitime como líder natural na América do Sul.

Energia

Tema sensível nas relações bilaterais Brasil-EUA, a cooperação energética se transformou no novo desafio econômico entre os países, após as ambições de uma integração comercial continental terem sido deixadas de lado.

Durante sua visita à Casa Branca, Obama e o presidente Lula discutiram sobre alguns dos assuntos de interesse das relações bilaterais como o biocombustível. Em mais um sinal de admiração, Obama informou que considera incrível a liderança do Brasil sobre os biocombustíveis.

O debate também foi o principal do segundo dia da Cúpula das Américas, realizada em Trinidad e Tobago. Nele, Obama ressaltou a importância da colaboração na área energética ao falar sobre como enfrentar a mudança climática e a crise econômica mundial, ressaltando, mais uma vez, que o Brasil e os EUA têm um potencial enorme e devem trocar ideias.