Venezuela: aprovada a reeleição ilimitada

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Da redação, JB Online

VENEZUELA - Os venezuelanos aprovaram domingo, em referendo, a emenda constitucional sobre a reeleição ilimitada que permitirá ao presidente Hugo Chávez ser candidato a um terceiro mandato. De acordo com o primeiro resultado oficial divulgado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o sim obteve cerca de 6 milhões de votos (54,36%), enquanto o não conseguiu pouco mais de 5 milhões (45,63%), com abstenção relativa de 32,95%. Ao saber do resultado, Chávez disse que se trata de um triunfo da verdade e da dignidade da pátria .

Ainda apoiado em pesquisas de boca-de-urna, o ministro das Finanças e diretor do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Alí Rodríguez, anunciou que o sim para a reeleição registrara uma vantagem irreversível .

Hoje certamente é um dia de celebração afirmou Rodríguez, em entrevista coletiva concedida antes do encerramento da votação (que se estendeu oficialmente até as 18h11 locais, ou 19h41 em Brasília). Pelo que dizem todas as pesquisas de boca-de-urna, a tendência é irreversível e a resposta que o povo deu é irreversível.

Representantes da oposição, por sua vez, pediram para esperar até o fim do dia e exigiram das autoridades eleitorais fizessem respeitar a proibição sobre a divulgação de resultados, baixada pelo CNE.

Votação

Moradores das principais cidades despertaram às 5h da manhã ao som de queima de fogos e do toque de uma marcha militar que conclamava os eleitores a participarem da votação sobre a emenda constitucional que permite que Chávez e aqueles que ocupam cargos públicos no Executivo possam se candidatar novamente.

Grande parte dos centros de votação abriu às 6h, com relativa concentração de eleitores que já aguardavam para votar. No leste de Caracas, onde vive a maioria dos opositores ao governo, as filas começaram a se formar na madrugada.

Ao votar, Chávez declarou que seu destino político estava em jogo nas mesas de votação :

Peço a Deus que o processo termine bem e se imponha a vontade do povo venezuelano. Que ninguém se ponha a inventar alertou o mandatário.

Cerca de 1,6 mil observadores nacionais e 98 internacionais acompanharam o pleito. Pelo país, mais de 140 mil efetivos das Forças Armadas cuidaram da segurança dos 11,6 mil centros de votação. Segundo o chefe do Comando Estratégico Operacional, major-general Jesús González, 80 pessoas foram detidas em todo o país por cometer delitos eleitorais.

Nas primeiras horas do domingo, um diretório acadêmico da Universidade Central da Venezuela foi atacado com coquetéis molotov. O local é tido como reduto de simpatizantes do presidente Chávez.