Venezuela: continuísmo ameaça comércio e liderança do Brasil

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Da redação, Jornal do Brasil

VENEZUELA - O referendo de domingo mudará as relações comerciais e políticas entre Brasil e Venezuela. Segundo os especialistas, a relação entre Lula e Chávez é benéfica, mas a emenda da reeleição ilimitada para cargos públicos eletivos, pode atrapalhar a futura relação entre os dois países.

É inegável que a boa relação entre os presidentes e os países afeta positivamente a balança comercial, mas este é um processo que vem de anos anteriores, e é uma tendência dentro do processo de integração da América do Sul. Eu vejo a integração como um fato necessário e irreversível disse José Francisco Marcondes, presidente da Federação de Câmaras de Comércio e Indústria Venezuela-Brasil à agência Ansa.

A prova da integração está nos números. Nos últimos cinco anos, o aumento experimentado pelo intercâmbio comercial entre os dois países foi de 543%. Mesmo assim, o professor Sergio Gil Marques dos Santos, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, considera que a continuidade de Chávez no poder e a centralização da gestão econômica do país em suas mãos talvez deteriorem o ambiente para negócios na Venezuela.

É perigoso para qualquer empresário que vá aportar um investimento grande a inexistência de regras claras, quando tudo depende apenas do humor do presidente. E ainda mais de um presidente que esteja repleto de poder diz o especialista.

O continuísmo do governo Chávez também ameaçaria a liderança brasileira no continente e deteriorar as relações entre os dois países. Isso acontecerá, acredita-se, se Chávez tiver o objetivo de exercer maior protagonismo regional.

Enquanto o Brasil utiliza recurso do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) para financiamento de obras na região, Chávez também aporta recursos. É claramente uma competição, diz Sergio Gil Marques dos Santos, que integra o Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo.