Itália chama de volta embaixador no Brasil

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REUTERS

ROMA - A Itália convocou o seu embaixador no Brasil, em mais um episódio envolvendo a recusa brasileira em extraditar Cesare Battisti, condenado por participar de ataques guerrilheiros na Itália nos anos 1970, informou o Ministério das Relações Exteriores italiano.

Alguns políticos disseram que o protesto diplomático foi muito tímido e pediram medidas mais duras, como o cancelamento de uma partida de futebol entre os dois países, agendada para o dia 10 de fevereiro, em Londres.

Roma disse que está respondendo à 'grave decisão' tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada de conceder a Battisti o status de refugiado político.

Em nota, o Itamaraty informou que 'o governo brasileiro considera que todos os procedimentos sobre a questão estão sendo seguidos de acordo com legislação brasileira' e espera que o episódio não prejudique as relações do país com a Itália.

- O governo brasileiro reitera a confiança expressa pelo presidente da República, em sua carta dirigida ao presidente da Itália, de que os laços históricos e culturais que unem o Brasil e a Itália continuarão a inspirar nossos esforços com vistas a aprofundar ainda mais as sólidas relações bilaterais nos mais diversos setores - disse.

Mais cedo, um assessor do Itamaraty havia dito à Reuters, por telefone, que a convocação de um embaixador para consultas é 'uma prática comum na diplomacia'.

Em novembro do ano passado, o embaixador brasileiro em Quito foi convocado para consultas após o governo equatoriano ameaçar não pagar uma parcela de uma dívida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na ocasião, ao comentar a decisão de chamar o embaixador no Equador, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse a jornalistas: 'Quem conhece as práticas diplomáticas sabe exatamente o que isso significa', dando o tom de gravidade do episódio.

A crise entre os dois países sul-americanos acabou sendo resolvida após o Equador decidir pagar a parcela da dívida com o BNDES.