Crise pode ter impacto terrível sobre ajuda humanitária, diz ONU

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REUTERS

TÓQUIO - A crise financeira global pode ter um impacto terrível sobre os esforços humanitários no mundo todo, disse na sexta-feira o alto-comissário da ONU para refugiados, António Guterres, pedindo aos países desenvolvidos que dêem à vida humana a mesma importância conferida aos bilionários pacotes de resgate dos bancos.

- Temo que isso tenha um terrível impacto humanitário. Seria inconcebível, num mundo em que as pessoas gastam centenas de bilhões ou mesmo trilhões de dólares para resgatar bancos, que a mesma determinação não seja demonstrada para resgatar vidas humanas - disse Guterres em entrevista coletiva durante visita a Tóquio.

O Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), pediu em outubro aos governos que não cortem a ajuda a agências humanitárias. Mas países importantes mergulharam na recessão desde então, e a perspectiva econômica global permanece sombria.

O maior doador do Acnur são os Estados Unidos, que deram mais de 505 milhões de dólares nos dez primeiros meses do ano. Em seguida vêm União Européia (130 milhões de dólares) e Japão (110 milhões), segundo o site do Acnur.

Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal, também elogiou o Japão por aceitar um pequeno número de refugiados insatisfeitos com os países para os quais inicialmente fugiram.

O Japão costuma ser criticado por sua relutância em aceitar refugiados. Cerca de 40 pessoas receberam asilo em 2007, a maioria birmaneses, enquanto outros países desenvolvidos, como os EUA e a França, aceitaram mais de 10 mil pessoas asilados.

Em reunião na quinta-feira com Guterres, o primeiro-ministro Taro Aso disse que Tóquio aceitaria, entre março de 2009 e março de 2010, cerca de 30 refugiados de Mianmar que estão vivendo em campos da Tailândia.

- Este é de fato um gesto simbólico muito importante, e esperamos que se traduza em um desenvolvimento positivo no futuro - disse Guterres.

De acordo com o Acnur, o Japão recebeu neste ano 1.500 pedidos de asilo, um recorde, equivalente a quase o dobro de 2007. Mihoko Kashima, porta-voz da ONG Associação do Japão para Refugiados, disse que as más condições sob o regime militar de Mianmar e o fato de o Japão ter presidido o G8 neste ano podem ter contribuído com o aumento.