Manifestações racistas aumentaram após eleições nos EUA
Jornal do Brasil
DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS - Os incidentes racistas aumentaram nos Estados Unidos desde a eleição de 4 de novembro que levou Barack Obama à Presidência do país. O anúncio foi feito ontem por observadores e universitários, que alertaram para um retorno à violência por parte da comunidade branca.
Na Pensilvânia, um casal com raças distintas descobriu uma cruz queimada no quintal de sua casa. Na Califórnia, automóveis foram marcados com suásticas e frases racistas, como "voltem à África". Manequins que representavam Obama foram encontrados enforcados em uma ilha no Estado de Maine, enquanto em Idaho, vários alunos cantaram "matem Obama" no pátio da escola. São apenas alguns dos exemplos entre centenas de casos, segundo Mark Potok, diretor do centro Southern Poverty Law, com sede no Alabama.
Desde as últimas semanas de campanha, observamos o racismo inesperado por parte de alguns brancos, e creio que isso está piorando declarou Potok.
Segundo Potok, os incidentes começaram a ocorrer durante alguns discursos de campanha da candidata republicana à vice-Presidência, Sarah Palin, quando se escutava entre os espectadores, "Matem-no!", em referência a Obama.
Brian Levin, professor da Universidade da Califórnia em São Bernardino (leste de Los Angeles), constata o mesmo. Especializado no estudo do racismo e extremismo, estima que o aumento é parte de uma tendência de longo prazo.
Não possuímos estatísticas exatas, mas posso dizer que parece que houve um pico importante de incidentes racistas desde as eleições até agora afirmou.
O professor diz que observou um aumento na quantidade de consultas realizadas em sites que pregam a supremacia branca, como StormFront, cujo servidor deixou de funcionar logo depois das eleições devido ao tráfego exacerbado de conexões.
Os ataques a Obama também surgiram nesta quarta de fonte mais previsível, a rede de terroristas islâmicos, Al Qaeda. O segundo homem no comando da organização, Ayman al Zawahri, fez um apelo aos muçulmanos para manter os ataques contra a América e criticou o presidente eleito por prometer apoio a Israel durante sua campanha.
Zawahri advertiu Obama que vai fracassar se der continuidade às políticas do atual presidente George Bush, conforme uma fita de áudio divulgada ontem pelo Instituto Site, uma organização dos EUA que monitora grupos militantes islâmicos.
A América, a criminal, que faz cruzadas intrusivas, continua a ser a mesma de sempre, então temos de ameaçá-la para que ela tome consciência disse Zawahri em uma mensagem endereçada a todos os muçulmanos do mundo. O projeto criminoso e expansionista de cruzada da América somente foi neutralizado pelo sacrifício dos nossos filhos, os mujahideen.
Zawahri também criticou Obama por virar as costas às suas raízes muçulmanas.
Nomeações
Obama escolheu ontem o ex-líder democrata no Senado Tom Daschle para ser seu secretário de Saúde e Serviços Humanos. Daschle, da Dakota do Sul, apoiou Obama desde o começo de sua campanha, encorajando o ex-senador a tentar a corrida presidencial.
Segundo pesquisa do instituto Rasmussen, 42% dos americanos dizem acreditar que as nomeações de Obama à Suprema Corte serão "liberais demais", contra 43% que afirmaram que elas serão "corretas".
Enquanto isso, o ex-presidente americano Bill Clinton permitiu que sejam feitas avaliações sobre futuros negócios e atividades filantrópicas dele caso sua mulher seja escolhida pelo presidente eleito dos EUA, Barack Obama, como próxima secretária de Estado, afirmaram ontem democratas familiares à questão.
