Crise impõe a Obama uma escolha crucial para o Tesouro

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Agência AFP

WASHINGTON - Diante da grave crise financeira que assola os Estados Unidos, o futuro presidente americano Barack Obama vai ter que fazer rapidamente uma escolha crucial: a designação de seu secretário do Tesouro.

No passado, a maioria das especulações sobre o futuro governo se concentrava no nome do secretário do Estado. Contudo, a conjuntura atual coloca o futuro secretário do Tesouro no centro das preocupações do país e do mundo.

- Esta pessoa (o secretário do Tesouro) estará sob os holofotes nos 12 a 24 próximos meses, mais até do que o secretário de Estado - comentou o economista Joel Naroff.

Entre os nomes mais cotados para suceder a Henry Paulson estão Paul Volcker, 81 anos, ex-presidente do Fed; Larry Summers, 54 anos, secretário do Tesouro de 1999 a 2001 sob a presidência de Bill Clinton; e Timothy Geithner, 47 anos, presidente do Banco Central de Nova York desde 2003.

Paulson expressou nesta quinta-feira o desejo de garantir uma transição "suave e eficiente" com a equipe econômica de Obama, para ajudar os mercados financeiros.

Para Naroff e Peter Morici,. professor de economia na universidade de Maryland, a idade do próximo secretário do Tesouro não é importante.

- É muito simples - explicou Naroff à AFP.

- O futuro secretário do Tesouro deverá ter um profundo conhecimento do funcionamento dos mercados financeiros e ter alguma experiência neste âmbito, seja no setor privado ou no Fed, analisou.

- Como o secretário do Tesouro terá que explicar à opinião pública a maior parte das medidas tomadas, ele também precisará ser um bom orador, prosseguiu o economista.

Barry Bosworth, especialista do instituto de pesquisas Brookings, concorda com esta análise. Para Bosworth, Volcker é velho demais para exercer esta função, mas Summers ou Geithner são bons candidatos.

- Summers é competente e muito inteligente, e conhece muito bem as questões financeiras - além de já ter ocupado o cargo durante dois anos, lembrou o especialista, considerando no entanto que ele pode ser preterido devido a sua - personalidade forte e dominadora.

- Ele poderia assumir o comando e ser o chefe da política econômica, desde que haja uma verdadeira vontade presidencial neste sentido. Ou seja, o presidente deve querer um secretário do Tesouro muito forte, comentou.

Geithner, por sua vez, é um burocrata, de personalidade mais apagada. Contudo, ele trabalhou no departamento do Tesouro por muitos anos e - sabe muito bem como ele funciona, segundo Bosworth.

Presidente do Banco Central de Nova York, o intermediário tradicional entre os bancos centrais e os mercados financeiros, Geithner participou, em março, do resgate do banco Bear Stearns e das outras medidas excepcionais de apoio à economia tomadas pelo Fed.

Neste sentido, a escolha de Geithner pode garantir uma certa continuidade, um critério importante neste período agitado.

Para Morici, a nomeação de Volcker, que triunfou da inflação nos anos 80, seria perfeita, pois justamente por ter 81 anos - ele não se preocupa com questões como qual será seu próximo cargo, além de ser muito respeitado.

Além destes três nomes, Bosworth também mencionou o de Janet Yellen, presidente do Banco Central de San Francisco. Jon Corzine, governador democrata de New Jersey que trabalhou no banco Goldman Sachs, onde era o adversário direto de Paulson, também seria uma opção.

Ao contrário, o nome de Robert Rubin, secretário do Tesouro durante os anos Clinton e hoje conselheiro do banco Citigroup, parecia estar perdendo força nesta quinta-feira.