França diz que UE considera sanções contra a Rússia
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PARIS - Os líderes da União Européia consideram impor sanções contra a Rússia antes de uma cúpula, a ser feita na segunda-feira, na qual eles discutirão a situação na Geórgia, informou o ministro das Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, na quinta-feira.
Perguntado em uma coletiva de imprensa em Paris sobre as medidas que podem ser tomadas contra a Rússia devido à sua recusa em se retirar da Geórgia, Kouchner disse: 'Sanções estão sendo consideradas, além de muitas outras medidas'.
Os comentários foram imediatamente rejeitados pelo ministro russo do Exterior, Sergei Lavrov, que os considerou produto de uma 'imaginação doentia'.
- Acho que é uma demonstração de completa confusão - disse ele a jornalistas durante encontro no Tadjiquistão.
A França, que detém a Presidência rotativa da UE, convocou para a segunda-feira uma reunião de chefes de governo dos países do bloco, para discutir a crise na Geórgia, deflagrada neste mês após a Rússia reagir à tentativa georgiana de retomar a região separatista da Ossétia do Sul.
- Estamos tentando elaborar um texto forte, que mostrará nossa determinação em não aceitar (o que está acontecendo na Geórgia. É claro, também há sanções - disse.
Não quero falar sobre sanções antes da hora, já que o encontro ainda não aconteceu. Mas estamos trabalhando com nossos 26 parceiros neste momento', disse Kouchner.
Kouchner disse que vários países europeus são a favor de impor sanções, mas um diplomata francês disse que a França não é um dos países que estão pressionando os colegas pela imposição das sanções.
A França mediou um acordo de cessar-fogo entre a Rússia e a Geórgia com seis propostas e prefere uma abordagem mais moderada, se comparada a países como a Grã-Bretanha, mas sua frustração está crescendo, já que Moscou não cumpriu todos os pontos do pacto.
A Rússia diz que está comprometida com o acordo, mas ainda tem de retirar suas tropas do país, como foi combinado. Moscou também reconheceu duas regiões separatistas georgianas como Estados independentes. O acordo estabelecia que haveria negociações internacionais para decidir o status das duas regiões.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que falou com o presidente russo, Dmitry Medvedev, na quarta-feira, insiste que as forças russas ainda não voltaram às posições anteriores ao conflito e devem fazer isso imediatamente.Mas Kouchner afirma que Paris continua paciente.
- A França não é a favor de cortar relações com a Rússia. Isso será resolvido com negociações. Precisamos de tempo, não estamos iludidos quanto a isso - disse.
