União Européia apóia envio de monitores à Geórgia
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TBILISI - Os ministros das Relações Exteriores da União Européia expressaram nesta quarta-feira seu apoio ao envio de monitores do bloco para supervisionar o cessar-fogo entre Rússia e Geórgia, mediado pela França, na região separatista da Ossétia do Sul.
- Houve um forte apoio a forças de paz européias, provavelmente haverá forças de paz européias - disse um diplomata da UE que ouviu a discussão na reunião de emergência feita em Bruxelas.
Outro diplomata disse que a discussão continua, mas houve extenso apoio ao envio de monitores à região para ajudar a sedimentar uma trégua frágil depois de seis dias de lutas.
Pela manhã, o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, conclamou a UE a assumir um papel de supervisão naquela área.
O chanceler comandou em Bruxelas a reunião entre os ministros das Relações Exteriores dos 27 países-membros do bloco.
- A idéia é ter monitores - o que vocês chamariam de forças de paz eu não descreveria dessa forma. Sim, monitores, controladores, facilitadores europeus. É assim que a Europa deveria estar presente ali - disse Kouchner a repórteres.
O chanceler, que acompanhou o presidente da França, Nicolas Sarkozy, em uma missão para conseguir, na terça-feira, convencer a Rússia a acatar um acordo de paz, disse estar convencido de que o governo russo aceitaria a presença de monitores europeus na Geórgia.
Kouchner não descartou a possibilidade de soldados da Rússia fazerem parte da missão.
Apesar de testemunhas não terem confirmado essa informação, a ministra georgiana das Relações Exteriores, Ekaterine Tkeshelashvili, afirmou, quando desembarcou em Bruxelas, que a Rússia continuava a atacar a cidade de Gori, que fica dentro da Geórgia mas fora da Ossétia do Sul.
- Definitivamente, os monitores europeus precisam estar lá. A Europa tem de se engajar fisicamente e a Europa precisa impedir esse tipo de coisa de acontecer - afirmou a chanceler a repórteres.
O ministro sueco das Relações Exteriores, Carl Bildt, que visitou a Geórgia em nome do Conselho da Europa, levantou dúvidas sobre a possibilidade de o governo russo permitir a presença de monitores europeus em áreas que havia capturado ou que mantinha sob seu controle.
- Não há sinais de que os russos deixarão alguém mais ingressar ali. De fato, eu não acredito que isso vá acontecer neste momento, os russos controlam essas áreas com afinco - disse.
Ajuda humanitária
O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, deu apoio à idéia da missão de monitoramento. Segundo Steinmeier, a UE deveria deixar de lado os esforços para apontar os culpados e concentrar-se em desempenhar um papel estabilizador em sua vizinhança, mantendo abertos os canais com a Geórgia e a Rússia.
No entanto, divergências sobre quais conclusões tirar da ação militar russa no território georgiano surgiram quando os ministros chegaram para a reunião, um tipo de encontro que raramente acontece em agosto.
O ministro britânico das Relações Exteriores, David Milliband, disse que a UE deveria decidir, no próximo mês, "se daria continuidade ou não" às negociações para selar laços mais profundos com a Rússia.
Milliband observou que o Grupo dos Sete (G7, que reúne as maiores potências industrializadas do mundo) vinha coordenando sua resposta à crise na Geórgia sem envolver a Rússia.
- Segundo o desejo da comunidade internacional, precisamos deixar claro que a força não é a forma correta de resolver essas complicadas questões - afirmou o chanceler.
Os ministros avaliavam também a possibilidade de enviar mais ajuda humanitária à região depois de o presidente russo, Dmitry Medvedev, ter suspendido as operações militares na terça-feira e ter concordado com o projeto de acordo de paz apresentado pela França.
O presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, aliado do Ocidente e que provocou a retaliação russa ao enviar soldados para a Ossétia do Sul na semana passada, aceitou na terça-feira, em Tbilisi, uma versão um pouco modificada do plano de Sarkozy.
