Ex-arrecadador de Obama é condenado por corrupção
REUTERS
CHICAGO - Um ex-arrecadador de doações para Barack Obama foi condenado na quarta-feira num caso de corrupção, o que, segundo a Casa Branca, desperta sérias dúvidas sobre a integridade do candidato democrata.
Antoin 'Tony' Rezko, incorporador imobiliário de Chicago e ex-arrecadador de vários políticos, entre eles Obama, foi condenado por fraude, tentativa de suborno e lavagem de dinheiro.
O nome de Obama apareceu apenas de passagem no processo, e o senador já rompeu relações com Rezko. Mas a direção do Partido Republicano imediatamente divulgou nota lembrando que o veredicto surge um dia depois de Obama atingir 'resfolegando a linha de chegada' e derrotar Hillary Clinton na disputa pela indicação partidária para concorrer à Presidência.
'Esta é mais uma prova de que a alta retórica de Obama é apenas isso ñ...í. O veredicto de hoje e a amizade de Obama com Rezko despertam sérias dúvidas sobre se ele tem discernimento para servir como presidente', disse ele.
Um júri federal condenou Rezko em 16 das 24 acusações contra ele, que teria usado sua influência em dois órgãos públicos de Illinois para extorquir milhões de dólares em propinas e doações eleitorais. A sentença dele sairá em setembro, a cerca de dois meses da eleição.
Obama foi citado no processo apenas por ter recebido doações geradas por Rezko quando concorria ao Senado, em 2004.
Rezko, 52 anos, nascido na Síria e também dono de restaurantes, foi muito amigo de Obama, o que já foi citado durante a disputa democrata --e deve voltar a ser lembrado pelos republicanos durante a campanha.
Em janeiro, Hillary acusou Obama de ter atuado como advogado em benefício das atividades de Rezko 'como dono de cortiços no centro de Chicago'.
Durante o julgamento, os promotores deram ênfase à influência de Rezko sobre o governador democrata de Illinois, Rod Blagojevich, tentando provar que ele exigia contribuições e propinas em troca de cargos e contratos. A defesa não convocou testemunhas para desmentir isso.
Parte dessas contribuições acabou na campanha de Obama ao Senado. O comitê dele à Presidência já devolveu cerca de 250 mil dólares em doações que podem estar ligadas ao empresário.
Em março, para tentar provar que não escondia nada, Obama aceitou responder a todas as perguntas de jornalistas de Chicago a respeito. As respostas revelaram uma relação íntima, que incluía discussões diárias sobre estratégias políticas e encontros familiares.
Na época, Obama disse que se sentia 'entristecido' com os problemas jurídicos de Rezko e ficaria 'desapontado' caso ele fosse condenado.
Obama admite ter prestado serviços jurídicos a sócios imobiliários de Rezko na década de 1990, mas lamentou ter trabalho com o empresário e se recriminou também por um negócio imobiliário que envolvia o amigo. O candidato diz que Rezko nunca lhe pediu nem ofereceu favores políticos.
Uma testemunha no processo disse que em 2004, quando era candidato ao Senado, Obama compareceu a uma festa do bilionário de origem iraquiana Nadhmi Auchi, já condenado por fraude na Europa. O comitê de Obama diz que ele não se lembra de ter ido à festa ou conhecido Auchi.
