A três dias de referendos, Morales reforça laços com militares

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REUTERS

LA PAZ - O presidente da Bolívia, Evo Morales, reafirmou nesta quinta-feira sua aliança com os militares, a três dias dos novos referendos regionais de autonomia que desafiam seu projeto de reformas esquerdistas no país.

Morales, primeiro indígena a governar a Bolívia, já teve o apoio dos militares para nacionalizar os recursos energéticos e até para pagar bônus a estudantes e idosos. Na quinta-feira, encomendou aos quartéis um ambicioso plano de combate ao contrabando.

- É nossa obrigação dar segurança, e as Forças Armadas estão preparadas para dar segurança territorial ao povo boliviano - disse Morales.

Na mesma cerimônia no palácio presidencial de Quemado, o general Luis Trigo, comandante-chefe das Forças Armadas, anunciou a abertura de cinco bases para a repressão ao contrabando de combustíveis, alimentos e produtos florestais, especialmente nas fronteiras com Brasil e Peru.

Trigo reiterou o "firme respaldo" a Morales, que moderniza a infra-estrutura militar usando as doações do governo da Venezuela, seu aliado.

As reformas esquerdistas de Morales enfrentam a resistência de setores conservadores, especialmente nos Departamentos (Estados) das planícies do norte e leste do país.

No domingo, dois desses Departamentos Beni e Pando votam um estatuto de autonomia igual ao que já foi aprovado em 4 de maio por Santa Cruz, principal pólo econômico da Bolívia.

O governo e a Justiça rejeitam a legitimidade dessas votações, que Morales diz servir a interesses de empresários e latifundiários.

Em 22 de junho, um quarto Departamento, Tarija, que é rico em gás, também votará sua autonomia.

Na quarta-feira, sob mediação da Igreja, da OEA, da Argentina, do Brasil e da Colômbia, dirigentes do governo e da oposição aceitaram um processo de negociação para compatibilizar a nova Constituição do país, promovida pelo governo central, com as autonomias.