Presidente do Irã defende aprofundar laços militares com Síria
JB Online
TEERÃ - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pediu na segunda-feira que se aprofundem os laços militares de seu país com a Síria, afirmou a agência iraniana de notícias Irna.
A declaração surge dias depois de Israel ter conclamado o governo sírio a afastar-se do Irã.
- Até agora, as relações mútuas entre o Irã e a Síria em vários campos mostraram-se extremamente úteis, e as relações na área de defesa precisam ampliar-se o máximo possível - afirmou Ahmadinejad ao ministro da Defesa da Síria, Hassan Turkmani, que visita Teerã.
A reportagem da Irna não forneceu grandes detalhes sobre a cooperação militar entre esses dois países do Oriente Médio, acusados pelos EUA de patrocinarem o terrorismo.
O ministro iraniano da Defesa, Mostafa Mohammad Najjar, descreveu a Síria, no domingo, como um aliado estratégico.
Pieter Wezeman, membro do Instituto Internacional Estocolmo de Pesquisa sobre a Paz (Sipri) e especialista na área de transferência de armas convencionais, disse que a Síria e o Irã mantêm relações militares, mas que o fato de os dois países serem fechados torna difícil avaliar o quão profundas são essas relações.
Segundo Wezeman, o Irã teria fornecido à Síria principalmente munição. Não há, porém, informações sobre outras modalidades de cooperação militar. 'É extremamente difícil encontrar informações confiáveis', afirmou o pesquisador por telefone, de Estocolmo.
Na quarta-feira, Israel e a Síria anunciaram o início de um diálogo com o objetivo de selar um amplo acordo de paz. Essa foi a primeira vez em oito anos que se confirmou a realização de negociações do tipo entre esses dois inimigos de longa data.
A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, disse na quinta-feira que a Síria precisava distanciar-se dos 'laços problemáticos' com o Irã. O governo sírio, segundo a chanceler, também tinha de parar de 'dar apoio ao terror -- ao Hezbollah e ao Hamas', dois grupos aliados do Irã.
A Síria exige de Israel a devolução das colinas do Golã, ocupadas por tropas israelenses durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Os EUA afirmaram não serem contrários às negociações entre Israel e a Síria, mas repetiram sua acusação de que o governo sírio 'apóia o terrorismo'.
Analistas de política afirmam que a hostilidade do governo norte-americano em relação ao governo sírio, ao Hezbollah (um grupo libanês) e ao Irã (esses dois últimos aliados da Síria) torna improvável o surgimento de um acordo sírio-libanês antes de o atual presidente dos EUA, George W. Bush, chegar ao fim de seu mandato, em janeiro.
O governo norte-americano acusa o Irã de tentar desenvolver armas nucleares. O governo iraniano, no entanto, diz que seu programa atômico visa apenas a geração de eletricidade de modo a permitir-lhe exportar uma quantidade maior de petróleo e gás natural.
